domingo, 7 de setembro de 2008

Juno

Lembro quando assisti Pequena Miss Sunshine. Numa daquelas coincidências da vida, TODO MUNDO começou a falar pra eu assistir o filme ao mesmo tempo. Gente de rodas sociais diferentes, todo mundo de repente encaixava na conversa que o filme era incrível, um verdadeiro divisor de águas. Quando finalmente assisti, achei um grande "Nhé...", aquela coisa de cinema independente americano padrão: "Família esquisitona e disfuncional de uma cidadezinha no interior dos EUA passa por uma série de situações estranhas e aprende a se entender e a se amar no final o filme". Não chegou nem perto de mudar minha vida, achei bem genérico o filme.

Enfim. Hoje assisti Juno. meio cansado, então nem vou descrever o filme. É melhor que Pequena Miss Sunshine. Mas também é um grande "nhé...". Objetivamente, uma única coisa me fodeu a paciência no filme. Você vê aquelas críticas masturbatórias, dizendo que a "direção é delicada", "os diálogos são muito bem trabalhados", e sabe que vem umas coisas meio xaropes, cenas desnecessárias e coisas do gênero, mas nem todo filme precisa ser objetivo como Superman II.

Mas, na tentativa de criar uma personagem "pária social / moleca / irreponsável", o diretor, a atriz e quem mais tivesse participado da construção da coisa acabaram criando uma menina que é tão irreal que, até o meio do filme, fiquei pensando se teria paciência pra vê-la mais alguns minutos na tela. Ficou parecendo uma versão pseudolésbica do Menino Maluquinho, como palavrões desnecessários e inverossímeis. Qualquer pessoa com um mínimo de sangue quente teria dado um cascudo nela antes de acabarem os crédito iniciais. Numa comparação mediana, é como ler O Mundo de Sofia. O filósofo esquisitão está lá, quebrando o galho da menina e ensinando Filosofia de graça para ela, e ela só dá patadas e atravessadas no cara. O que o autor queria com isso? Provar que a Sofia era independente e descolada? Ou que a mãe dela não deu as chineladas na hora que devia?

Bom. Dá pra ver Juno, não é um lixo total. Mas, assim como Pequena Miss Sunshine, mudou a vida de um monte de gente que deveria ter muito pouco a esperar dela.

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