domingo, 3 de agosto de 2008

Comédia politicamente incorreta

Céus.

Mais um musical.

Que inferno.

Dessa vez, até que não foi tão mal, porque o filme Os Produtores é um remake de um musical da época em que musicais eram mais comuns, e o tema é a Broadway, e a montagem de um musical, então, faz mais sentido. Mas, ainda assim, a mesma coisa de antes. Gente demorando 15 minutos de cantoria pra falar instruções simples, mendigos dançando e cantando, e afins.

Ficha rápida: “Os Produtores”, refilmagem de obra de mesmo nome lá dos anos 60 pra 70, do Mel Brooks. A história fala sobre dois sujeitos, um produtor de musicais decadente e um contador, que armam um golpe para lavar dinheiro através de um musical fracassado. Para isso, eles escolhem a dedo uma peça horrível, com diretores e atores péssimos, e afins. É bem engraçado, se você conseguir deixar a cantoria de lado. As interpretações são um pouco teatrais demais, mas acho que isso também se encaixa com o tema da coisa toda.

O que me incomodou mais foi que o produtor, interpretado pelo Nathan Lane, para juntar fundos para a sua peça, se prostitui para centenas de velhinhas fogosas, e isso é mostrado de forma divertida e bem humorada, com uma horda de velhinhas de andador dançando pela rua.

Só eu acho que isso é meio errado? Imaginemos se fosse uma situação oposta. Se uma fulana precisasse de dinheiro para, sei lá, trocar de carro, pagar o transplante de medula do avô ou coisa assim, e saísse por aí dando pra todo mundo para juntar a tal quantia. Duvido muito que isso fosse mostrado de forma divertida e bem humorada. Mas quando é um homem fazendo isso, todo mundo se esbalda... Fica aquele gostinho de hipocrisia.

Como naquele filme “O Pai da Noiva”, da mocinha negra que arruma um namorado branco, e a família negra dela fica constrangendo o coitado durante o filme inteiro. Como é a família negra constrangendo o cara branco, é uma comédia. Se fosse o contrário, seria um filme cabeça, polêmico e o escambau. Ia ter protesto na estréia, ia ganhar Oscar e tal.

Como eu disse, gostinho de hipocrisia.