segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sweeney Todd, um cantor de barbearia

Opa, bastante tempo sem escrever. Vários filmes ruins assistidos. Vamos lá?

Vamos começar por Sweeney Todd, o Barbeiro Demoníaco de Fleet Street. Bom, verdade seja dita. Eu adoro o Tim Burton, e adoro o Johnny Depp. E gosto bastante da Helena Bonham Carter, até, mesmo ela fazendo sempre o mesmo papel de louca imunda e sinistra.

Mas tem uma coisa que eu não suporto é musical. E, acreditem, mesmo o tanto que eu gosto dos dois atores e do diretor não compensam o quanto eu NÃO TOLERO musicais.

Quando você está no teatro, na Broadway, ou qualquer bobagem do gênero, até faz sentido que tudo pare para as pessoas CANTAREM o que elas estão pensando, e não falarem, ou, melhor ainda, pensarem silenciosamente. Afinal de contas, óperas são assim, e óperas nada mais são que um teatro só com italianos gordos. De qualquer forma, não sou muito chegado em teatro, acho uma arte superestimada. E quando vejo as coisas chatas do teatro passadas para o cinema, acho especialmente angustiante.

Bom, rápida ficha. Sweeney Todd é um filme baseado numa peça de teatro, baseada num livro, baseada num cara real. Ou algo assim. Trama? Sujeito interpretado pelo Johnny Depp é traído, expulso da cidade, e perde a esposa e filha. Volta 15 anos depois, sob outro nome, em busca de vingança, e vai matando uma porrada de gente no processo. Para ficar mais divertido, quando ele mata alguém, a vizinha de baixo, interpretada pela Helena Bonham Carter, usa a carne do defunto para fazer tortas, que viram um sucesso com a vizinhança.

Como vocês devem imaginar, a “história real” na qual tudo é baseado é bem menos elaborada, era só um sujeito que matou um monte de gente há uns séculos. Mas ser baseado numa história real sempre ajuda a dar uns pontinhos pro filme.

Falando em pontinhos, pontos positivos do filme? O elenco todo é bem bacana. Gente boa mesmo, como o Alan Rickman (o Snape os filmes do Harry Potter) e Timothy Spall (o Rabicho, também do Harry Potter... putz, preciso melhorar meu repertório). A direção do Tim Burton, como sempre, é primorosa, um filme com um misto de cinzento e uma ou outra cor berrante, aquele clima meio “conto de fada / pesadelo”. A história é mediana, não chega a ser envolvente, mas não se dorme no meio do filme. A violência é bem gráfica, às vezes chega a ser meio excessiva, mas nada que seja de mau gosto.

Ponto negativos? Bom, a resposta óbvia seria a maldita cantoria. Porém, além do constrangimento geral causado por pessoas cantando e dançando no meio da rua sem razão aparente, percebi que musicais têm um problema A MAIS. Quando o sujeito diz “Fulano, você me traiu há 15 anos e hoje eu vou me vingar cortando sua garganta!”, isso demora menos de 10 segundos. Para conseguir o mesmo efeito num musical, onde ele irá dizer isso 30 vezes, saltitando entre os móveis, rodopiando navalhas, fazendo jogral com mendigos dançarinos na rua e outras peripécias, a coisa toda acaba tomando uns 5 a 10 minutos da película. Multiplique isso por uns 20 ou 30 “momentos musicais” no filme, e pronto, temos um enredo que, resumido, acaba possuindo apenas um terço de FILME, de verdade, com enredo, acontecimentos, e afins. Aí, além de você se irritar com as músicas, você percebe também que levou gato pelo preço de lebre, seu filme de mais de duas horas tem apenas uns 40 minutos de tutano. Triste? Bom, eu acho. Mas isso sou eu.

Resumindo? Nah, não assista. Quer ver um filme bacana do Tim Burton? Veja Peixe Grande. Ou, se quiser ver um filme bacana do Tim Burton com o Johnny Depp, veja Edward Mãos de Tesoura, ou O Cavaleiro Sem Cabeça.

Pelo menos a porra de um Cavaleiro sem Cabeça não canta.

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