segunda-feira, 9 de junho de 2008

Direto do Telejogo para sua telinha!

Opa, como eu disse, meu repertório de filmes baixados é composto de filmes ruins, e filmes clássicos. Dessa vez, o cardápio do dia é TRON, de 1982. Eu já tinha assistido ao filme, mas isso quando eu tinha cerca de quatro anos, então, não conta muito. Desta vez, no conforto da minha cadeirinha de computador, me preparava para começar a exibição, quando vejo “Estúdios Disney apresentam: TRON”. Hmmm. Estúdios Disney nunca são uma boa coisa. Quando eles fazem coisas pra criança, fatalmente, em algum momento, teremos animais, ou mesmo objetos, cantando e dançando. E quando eles fazem coisas para adultos (ou, pelo menos, para “não exclusivamente crianças”, como Piratas do Caribe), o resultado sempre é um meio termo meio ingênuo e bobinho.

Enfim, o filme já está aí, baixado, e tem seu rótulo de clássico, vamos lá. A história, para quem não sabe, é bem simples. Um hacker é engolido por um mega computador, e é obrigado a se virar para sobreviver em meio a uma cidade virtual dominada por um tirano-programa, que deseja “assimilar” outros programas pelo mundo em busca de mais poder. O filme tornou-se um clássico por causa do uso bastante inovador (para a época, obviamente) de efeitos visuais, misturando computação gráfica e animação. A trama, por sua vez, também tinha aquele apelo de videogames, que ainda estavam bem em moda naquela época áurea do Atari e afins, quando até mesmo adultos jogavam.

As referências aos videogames merecem um parêntese. Por exemplo, existem algumas cenas onde os personagens têm que lutar dentro de jogos, e isso me lembrou muito da época dos primeiros consoles de jogos, onde você tinha aquele lance “5% tecnologia, 95% imaginação”. Acreditar que uma linha vermelha que tenta fechar uma linha azul é, na verdade, uma incrível moto futurista numa corrida até a morte envolve um monte de “faz de conta”... Para vocês terem idéia, o jogo principal onde os prisioneiros competem em TRON, esse das motos, hoje em dia é o “jogo da cobrinha”, que você encontra em celulares vagabundos ou em minigames de rodoviária. O que me leva a refletir sobre o avanço dos jogos.

Gosto bastante de jogar computador, ou videogame. Sempre gostei, desde o Atari dos anos 80, até antes disso. E os jogos evoluíram MUITO desde então. Mas evoluíram principalmente por causa da tecnologia envolvida. Enquanto os computadores, processadores, vídeos e afins evoluíam exponencialmente (a velocidade do computador em que estou escrevendo agora é de cerca de 200 vezes a velocidade do meu primeiro PC, de uns 15 anos atrás), a criatividade dos produtores de jogos passava, como toda criação do mundo, por fases bem variadas. Hoje em dia, muitos jogos são um primor de tecnologia, mas a tal jogabilidade, o entretenimento, fica lá embaixo. Mas acho que eu estou digredindo, e estou sendo nostálgico demais com uma coisa que talvez não tenha muita importância. O fato de Quake 3 ser menos viciante que Asteroids talvez seja algo só meu.

Voltando ao filme. Existe um ponto que eu achei especialmente interessante em TRON. Quando Flynn, o hacker personagem do Jeff Bridges, “entra” no computador, ele encontra uma sociedade onde alguns membros-programas “subversivos” acreditam em usuários, entidades cósmicas que os criaram, e que controlam suas vidas. E estes programas são chamados pelos outros de “religiosos”. Isso aí, os caras fazem um paralelo com as relações “Programa/Usuário” e “Pessoas/Deus”. Achei a sacada muito boa. Eles podiam elaborar um pouco mais, tem uma ou outra passagem sobre isso, onde os programas conversam sobre destino e afins com o humano, mas a grande idéia fica meio jogada.

Ao mesmo tempo, rola um lance meio Matrix. Por exemplo, dentro da Matrix, como o Neo tinha lá seu controle sobre a realidade, ele “era de fora” daquele lugar, ele tinha uma série de super poderes. A mesma coisa acontece com Flynn dentro do computador. Ele consegue controlar máquinas, curar pessoas e afins, simplesmente porque ele é um usuário, algo externo àquela realidade. No entanto, mais uma vez, esse dado fica esquecido num canto do roteiro, e acho que poderiam ter usado de forma mais generosa. No fim, o que sobra é um filme básico de heróis bonitinhos tentando derrubar o bandidão, aprontando as mais loucas confusões, isso tudo com um monte de efeitos especiais que, sem o valor histórico, são só “não constrangedores”.

Não vou dar uma carinha triste para TRON, mas não mudou minha vida.

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