domingo, 8 de junho de 2008

Alien vs Predador, made for Radio

Bom, acabei de assistir o "Alien vs Predador 2". Acho que esse blog vai ser sobre isso, filmes ruins. Primeiro, baixei os clássicos, aqueles que eu não tinha visto porque não tinha visto, mesmo, porque não era nascido na época, e porque nunca encontrei numa locadora, ou nunca corri atrás. Agora, estou baixando aqueles filmes que não tive coragem de assistir no cinema. Será este o futuro deste blog? Resenhas e comentários de filmes "Made for TV"?

Estranhamente, o primeiro Alien vs Predador foi até bem passável. Fiquei sabendo que o roteiro original seria uma batalha entre os dois povos num dos planetas alienígenas, e isso teria sido muito mais bacana. Mas mesmo assim, eu entendo que um filme sem NENHUM humano teria sido difícil de vender ao público de cinema de hoje em dia. Mas, roteiros alternativos à parte, o filme até que é divertido e razoavelmente bem feito.

Já o segundo filme é de doer. Ruim. Ruim mesmo. Aquela coisa de sempre, sustos, nojeira, explosões, correria, figurantes morrendo primeiro, o trivial. Mas com dois fatores complicadores. Primeiro, os atores são péssimos. Sério. Até os atores mais velhos são horríveis. Ruins, ruins, ruins. De você ficar constrangido e querer mudar de canal. De você achar que Malhação até tem seus bons momentos.

O segundo fator é especialmente chato. O filme é escuro. BEM escuro. Não escuro como um filme do Batman. Escuro como o seu quarto enquanto você procura o interruptor de noite e chuta a cadeira com o dedinho do pé. O primeiro Alien, "O oitavo passageiro", lá de 1979, era um pouco assim também, mas acho que porque ele era menos um filme "nojeira e tripas" e mais um filme de medo, suspense. Além do que, é claro, há 30 anos os efeitos especiais se resumiam a papel alumínio, catchup e fogos Caramuru. Mas hoje em dia, que efeito especial é coisa que moleques de 10 anos fazem num computador de casa, é meio vergonhoso.

A ação do filme inteiro se passa em cerca de umas 12 horas, durante uma noite. Ou seja, filme noturno, tudo escuro, uma enorme sucessão de cenas de ação onde tudo o que você recebe pelo seu dinheiro são guinchos, fagulhas, reflexos na baba ou no sangue, e toda uma série de barulhos diversos. Tudo bem, de certa forma, dá pra imaginar o que esteja acontecendo. "Monstro A está se atracando com Monstro B e propriedade privada e pública está sendo destruída ruidosamente no processo". Mas, se fosse pra ficar imaginando, eu iria atrás de uma radionovela, não de um filme no cinema.

Não sou muito de saber quem são os caras por trás da produção de um filme. Em casos extremos, eu sei o diretor. Mas parece que o sujeito responsável por esse primor de iluminação está querendo criar um estilo. O diretor de fotografia, ou seja lá o nome do emprego que dão a esse cretino, cujo nome eu alegremente esqueci, também fez a mesma idiotice em mais dois filmes, só este ano. Bom, enquanto continuarem contratando o rapaz, ele vai continuar insistindo no erro.

De resto, até que o filme é só "ruim como sempre". Ou seja, a história é rasa, os personagens são sem sal, tem muita quebradeira pra pouca informação, e afins. Mas uma coisa eu confesso. O filme tem seus méritos. Quando fiquei sabendo que a direção era de uns tais "Brother Strause", fiquei meio cismado. Não gosto de "Brothers" qualquer coisa. Os irmãos Wachowski, por exemplo, da trilogia Matrix, viraram uma marca ambulante. Os irmãos Wayan, dos "Todo Mundo em Pânico", os "Warner Brothers"... sei lá, não gosto. "Brothers" de qualquer tipo, quando falamos de cinema e não de uma barbearia, não me passam algo positivo. E os Brothers Strause foram bastante criticados pela violência do filme, todo mundo falando que eles apelaram no quesito “escolha de vítimas”. Mas o que eu vi me agradou, pelo menos num aspecto mínimo e isolado. É a mesma coisa de sempre, tripas, sangue, e afins. Mas com uma coisa legal. Os caras saem um pouco daquela coisa de "figurantes morrem, pessoas más morrem, mas crianças, cachorros, mendigos e mocinhos, não". No filme, morre todo tipo de gente. Putz, a segunda vítima do filme é um pivete de uns 10 anos! Isso eu achei agradavelmente ousado. Que jogue a primeira pedra quem nunca ficou perplexo como, numa catástrofe global, como invasão alienígena, asteróide, Godzilla e outros, as crianças e Labradores têm uma taxa de sobrevivência mais alta que soldados das Forças Especiais do Exército Americano. Simplesmente não faz sentido.

E o final, também, achei que envolveu uma boa dose de coragem dos irmãos Strause. Não vou contar o final aqui, que é estragar um filme já bem ruim, mas basta dizer que eles dão um desfecho incomum e quase nada previsível, e uma referência aos fãs dos filmes clássicos da série Aliens, o que é sempre muito melhor que o final imbecil “todo mundo que é importante sobrevive, e vive feliz para sempre”.

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