quarta-feira, 18 de junho de 2008

Taxi Driver - Bandeira 1

Olha, como eu já disse quando falei sobre o Poderoso Chefão, tem sempre aqueles clássicos dos quais você não pode falar mal, que vai incomodar uma massa de admiradores ou gente sem opinião própria. Isto dito, essa semana vi "Taxi Driver", do Scorcese. Olha, tudo bem, ele é meio datado, talvez por isso eu tenha achado o filme meio "qualquer nota". Mas só posso dizer que não mudou minha vida. O Robert de Niro está bem, a Jodie Foster está bem também... Até a Cybill Shepherd, que eu sempre achei meio genérica, engana bem.

MAS, para um filme tão polêmico e cheio de histórias por trás, eu achei meio sem sal. Senti mais ou menos a mesma coisa que eu senti quando li "O Apanhador no Campo de Centeio". Porra, o livro era super controverso, mas ninguém falava do conteúdo, sempre falavam do fato dele ter sido encontrado no bolso do cara que matou o John Lennon, e sido o livro de cabeceira de mais uns tantos maníacos por aí. Quando li, achei um grande "hmmm... ok".

"Taxi Driver", para mim, foi isso. Um grande "hmmm... ok". Pra quem não conhece, o filme é de uns 30 anos atrás. O taxista do título é o Robert de Niro, e ele é um veterano do Vietnam, Guerra da Coréia, essas roubadas. Ele volta da guerra, e está com problemas para dormir. Logo, resolve trabalhar o turno da noite de taxista. Enquanto isso, ele vai vendo aquele mundo decadente, de drogas, prostituição infantil, e o escambau, durante as rondas noturnas dele. E vai ficando puto, imagino que por causa daquela sensação "eu lutei, tomei tiro, me ferrei lá, e aqui tá essa zona". Até aí, ok. Aí, ele se apaixona pela Cybill Shepherd, que é coordenadora de campanha de um candidato, pré candidato, sei lá o que, à presidência dos EUA.

Ele se aproxima dela, com um papo todo "sou esquisitão, e por isso posso ser diferente dos caras que você conhece", e a coisa vai indo bem (nota mental: “testar xaveco do esquisitão”). Mas o cara é tão esquisitão que, depois de um tempo, ela perde a paciência e manda o cara passear. Ao mesmo tempo, o incômodo dele com a sociedade vai ficando mais e mais pesado, e ele resolve comprar um monte de armas, e sair matando gente por aí.

Aí que a coisa pega. Ele começa querendo matar o candidato, o tal carinha para quem a Cybill Shepherd trabalha. Sem um motivo muito sólido. Não dá pra entender se é porque ele é importante e vai dar visibilidade pro caso. Ou se ele acha que o cara é um hipócrita demagogo e por isso representa o que há de mais podre naquela sociedade que ele detestava. Ou pra se vingar da mulher que o abandonou. Sei lá, perdi essa, mesmo.

Mas, de qualquer forma, ele não consegue matar o sujeito. E aí, tenta ajudar a Jodie Foster, que é uma prostituta mirim, de uns 12 anos. Dá dinheiro pra ela, tenta convencê-la a “sair dessa vida”, e afins.

E, obviamente, vem uma grande confusão ao final, que vou poupar os leitores que queiram assistir ao filme. E a coisa fica meio no ar.

Ou eu ando muito burro, ou o filme é meio gratuito.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Direto do Telejogo para sua telinha!

Opa, como eu disse, meu repertório de filmes baixados é composto de filmes ruins, e filmes clássicos. Dessa vez, o cardápio do dia é TRON, de 1982. Eu já tinha assistido ao filme, mas isso quando eu tinha cerca de quatro anos, então, não conta muito. Desta vez, no conforto da minha cadeirinha de computador, me preparava para começar a exibição, quando vejo “Estúdios Disney apresentam: TRON”. Hmmm. Estúdios Disney nunca são uma boa coisa. Quando eles fazem coisas pra criança, fatalmente, em algum momento, teremos animais, ou mesmo objetos, cantando e dançando. E quando eles fazem coisas para adultos (ou, pelo menos, para “não exclusivamente crianças”, como Piratas do Caribe), o resultado sempre é um meio termo meio ingênuo e bobinho.

Enfim, o filme já está aí, baixado, e tem seu rótulo de clássico, vamos lá. A história, para quem não sabe, é bem simples. Um hacker é engolido por um mega computador, e é obrigado a se virar para sobreviver em meio a uma cidade virtual dominada por um tirano-programa, que deseja “assimilar” outros programas pelo mundo em busca de mais poder. O filme tornou-se um clássico por causa do uso bastante inovador (para a época, obviamente) de efeitos visuais, misturando computação gráfica e animação. A trama, por sua vez, também tinha aquele apelo de videogames, que ainda estavam bem em moda naquela época áurea do Atari e afins, quando até mesmo adultos jogavam.

As referências aos videogames merecem um parêntese. Por exemplo, existem algumas cenas onde os personagens têm que lutar dentro de jogos, e isso me lembrou muito da época dos primeiros consoles de jogos, onde você tinha aquele lance “5% tecnologia, 95% imaginação”. Acreditar que uma linha vermelha que tenta fechar uma linha azul é, na verdade, uma incrível moto futurista numa corrida até a morte envolve um monte de “faz de conta”... Para vocês terem idéia, o jogo principal onde os prisioneiros competem em TRON, esse das motos, hoje em dia é o “jogo da cobrinha”, que você encontra em celulares vagabundos ou em minigames de rodoviária. O que me leva a refletir sobre o avanço dos jogos.

Gosto bastante de jogar computador, ou videogame. Sempre gostei, desde o Atari dos anos 80, até antes disso. E os jogos evoluíram MUITO desde então. Mas evoluíram principalmente por causa da tecnologia envolvida. Enquanto os computadores, processadores, vídeos e afins evoluíam exponencialmente (a velocidade do computador em que estou escrevendo agora é de cerca de 200 vezes a velocidade do meu primeiro PC, de uns 15 anos atrás), a criatividade dos produtores de jogos passava, como toda criação do mundo, por fases bem variadas. Hoje em dia, muitos jogos são um primor de tecnologia, mas a tal jogabilidade, o entretenimento, fica lá embaixo. Mas acho que eu estou digredindo, e estou sendo nostálgico demais com uma coisa que talvez não tenha muita importância. O fato de Quake 3 ser menos viciante que Asteroids talvez seja algo só meu.

Voltando ao filme. Existe um ponto que eu achei especialmente interessante em TRON. Quando Flynn, o hacker personagem do Jeff Bridges, “entra” no computador, ele encontra uma sociedade onde alguns membros-programas “subversivos” acreditam em usuários, entidades cósmicas que os criaram, e que controlam suas vidas. E estes programas são chamados pelos outros de “religiosos”. Isso aí, os caras fazem um paralelo com as relações “Programa/Usuário” e “Pessoas/Deus”. Achei a sacada muito boa. Eles podiam elaborar um pouco mais, tem uma ou outra passagem sobre isso, onde os programas conversam sobre destino e afins com o humano, mas a grande idéia fica meio jogada.

Ao mesmo tempo, rola um lance meio Matrix. Por exemplo, dentro da Matrix, como o Neo tinha lá seu controle sobre a realidade, ele “era de fora” daquele lugar, ele tinha uma série de super poderes. A mesma coisa acontece com Flynn dentro do computador. Ele consegue controlar máquinas, curar pessoas e afins, simplesmente porque ele é um usuário, algo externo àquela realidade. No entanto, mais uma vez, esse dado fica esquecido num canto do roteiro, e acho que poderiam ter usado de forma mais generosa. No fim, o que sobra é um filme básico de heróis bonitinhos tentando derrubar o bandidão, aprontando as mais loucas confusões, isso tudo com um monte de efeitos especiais que, sem o valor histórico, são só “não constrangedores”.

Não vou dar uma carinha triste para TRON, mas não mudou minha vida.

domingo, 8 de junho de 2008

Alien vs Predador, made for Radio

Bom, acabei de assistir o "Alien vs Predador 2". Acho que esse blog vai ser sobre isso, filmes ruins. Primeiro, baixei os clássicos, aqueles que eu não tinha visto porque não tinha visto, mesmo, porque não era nascido na época, e porque nunca encontrei numa locadora, ou nunca corri atrás. Agora, estou baixando aqueles filmes que não tive coragem de assistir no cinema. Será este o futuro deste blog? Resenhas e comentários de filmes "Made for TV"?

Estranhamente, o primeiro Alien vs Predador foi até bem passável. Fiquei sabendo que o roteiro original seria uma batalha entre os dois povos num dos planetas alienígenas, e isso teria sido muito mais bacana. Mas mesmo assim, eu entendo que um filme sem NENHUM humano teria sido difícil de vender ao público de cinema de hoje em dia. Mas, roteiros alternativos à parte, o filme até que é divertido e razoavelmente bem feito.

Já o segundo filme é de doer. Ruim. Ruim mesmo. Aquela coisa de sempre, sustos, nojeira, explosões, correria, figurantes morrendo primeiro, o trivial. Mas com dois fatores complicadores. Primeiro, os atores são péssimos. Sério. Até os atores mais velhos são horríveis. Ruins, ruins, ruins. De você ficar constrangido e querer mudar de canal. De você achar que Malhação até tem seus bons momentos.

O segundo fator é especialmente chato. O filme é escuro. BEM escuro. Não escuro como um filme do Batman. Escuro como o seu quarto enquanto você procura o interruptor de noite e chuta a cadeira com o dedinho do pé. O primeiro Alien, "O oitavo passageiro", lá de 1979, era um pouco assim também, mas acho que porque ele era menos um filme "nojeira e tripas" e mais um filme de medo, suspense. Além do que, é claro, há 30 anos os efeitos especiais se resumiam a papel alumínio, catchup e fogos Caramuru. Mas hoje em dia, que efeito especial é coisa que moleques de 10 anos fazem num computador de casa, é meio vergonhoso.

A ação do filme inteiro se passa em cerca de umas 12 horas, durante uma noite. Ou seja, filme noturno, tudo escuro, uma enorme sucessão de cenas de ação onde tudo o que você recebe pelo seu dinheiro são guinchos, fagulhas, reflexos na baba ou no sangue, e toda uma série de barulhos diversos. Tudo bem, de certa forma, dá pra imaginar o que esteja acontecendo. "Monstro A está se atracando com Monstro B e propriedade privada e pública está sendo destruída ruidosamente no processo". Mas, se fosse pra ficar imaginando, eu iria atrás de uma radionovela, não de um filme no cinema.

Não sou muito de saber quem são os caras por trás da produção de um filme. Em casos extremos, eu sei o diretor. Mas parece que o sujeito responsável por esse primor de iluminação está querendo criar um estilo. O diretor de fotografia, ou seja lá o nome do emprego que dão a esse cretino, cujo nome eu alegremente esqueci, também fez a mesma idiotice em mais dois filmes, só este ano. Bom, enquanto continuarem contratando o rapaz, ele vai continuar insistindo no erro.

De resto, até que o filme é só "ruim como sempre". Ou seja, a história é rasa, os personagens são sem sal, tem muita quebradeira pra pouca informação, e afins. Mas uma coisa eu confesso. O filme tem seus méritos. Quando fiquei sabendo que a direção era de uns tais "Brother Strause", fiquei meio cismado. Não gosto de "Brothers" qualquer coisa. Os irmãos Wachowski, por exemplo, da trilogia Matrix, viraram uma marca ambulante. Os irmãos Wayan, dos "Todo Mundo em Pânico", os "Warner Brothers"... sei lá, não gosto. "Brothers" de qualquer tipo, quando falamos de cinema e não de uma barbearia, não me passam algo positivo. E os Brothers Strause foram bastante criticados pela violência do filme, todo mundo falando que eles apelaram no quesito “escolha de vítimas”. Mas o que eu vi me agradou, pelo menos num aspecto mínimo e isolado. É a mesma coisa de sempre, tripas, sangue, e afins. Mas com uma coisa legal. Os caras saem um pouco daquela coisa de "figurantes morrem, pessoas más morrem, mas crianças, cachorros, mendigos e mocinhos, não". No filme, morre todo tipo de gente. Putz, a segunda vítima do filme é um pivete de uns 10 anos! Isso eu achei agradavelmente ousado. Que jogue a primeira pedra quem nunca ficou perplexo como, numa catástrofe global, como invasão alienígena, asteróide, Godzilla e outros, as crianças e Labradores têm uma taxa de sobrevivência mais alta que soldados das Forças Especiais do Exército Americano. Simplesmente não faz sentido.

E o final, também, achei que envolveu uma boa dose de coragem dos irmãos Strause. Não vou contar o final aqui, que é estragar um filme já bem ruim, mas basta dizer que eles dão um desfecho incomum e quase nada previsível, e uma referência aos fãs dos filmes clássicos da série Aliens, o que é sempre muito melhor que o final imbecil “todo mundo que é importante sobrevive, e vive feliz para sempre”.