quarta-feira, 21 de maio de 2008

Apollonia rest in peace

Uma daquelas obras que a gente sente que TEM que ver, às vezes até mente que já viu, e enrola na conversa, pra não ficar chato, é O Poderoso Chefão. Eu nunca tinha visto. E, confesso, menti várias vezes que já tinha, pra não ter que ouvir comentários imbecis do tipo "Pooorra, cê tem que ver". Claro que eu tenho que ver, quando der, eu vejo...

Enfim, hoje, assisti. O primeiro, ainda. Estou com os outros dois na agulha. Percebi duas coisas interessantes sobre o filme. Primeiro, que é um ótimo filme, mas, quando dá aquela vontade de pensar críticas, você fica se sentindo como quando vai jantar num restaurante caro. Ou seja, você acha que, se teve ALGO que você não gostou, a culpa é sua, do seu mau gosto. O filme tem quase 3 horas, e em alguns momentos fiquei com aquela impressão de "Putz, que cena longa e desnecessária". Mas, antes que o pensamento se solidificasse na minha cabeça, ele já virava "olha a sutileza da montagem das cenas, voltadas para a construção de cada personagem", e blá blá blá. É aquela coisa da roupa nova do rei, a gente fica com medo de falar mal, porque acha que todo o resto do mundo que achou aquele filme um primor não pode estar errado.

Mas assim, fica parecendo que eu não gostei. É mentira. Eu gostei bastante. Dizem que o segundo é ainda melhor, espero que seja verdade, andam faltando bons filmes.

A segunda coisa que percebi é que os papéis femininos (talvez por culpa da época do filme, ambientado em 45 e filmado em 72) são majoritariamente pífios. Ou temos a mamma gordona que cozinha, ou noivinha saco de pancada, ou a belíssima Apollonia, uma italianinha deliciosa, que, mesmo deliciosa, consegue me cansar nos 10 minutos em que aparece no filme, num papel meio decorativo. Quando o carro explode e ela vai importunar outras redondezas, a gente se mexe na cadeira, pois dá aquela impressão de que fizeram uma lipoaspiração na trama, e ela vai embalar um pouco.

Enfim, nada contra personagens femininos. Mas, em filme de máfia, onde a gente quer se sentir machão, vendo tiroteio e afins, mulher chorando, gritando e reclamando afeta nossa testosterona e brocha um pouco a diversão. Descanse em paz, Apollonia, e não volte até ter aprendido a atirar.

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