segunda-feira, 26 de maio de 2008

John McLane meets Don Corleone

Aliás, putz... Disseram que o "Chefão 2" era ainda melhor que o primeiro. Ok, ok, tem a origem do Don Vito, e coisa e tal, mas aquele monte de reviravolta na trama "presente", ou seja, o que acontece com o Michael Corleone... Que zona. Parece enredo dos "Duro de Matar", onde a cada 10 minutos você descobre que tudo o que você achava que tava acontecendo era só cortina de fumaça, e que o plano do bandido era outro totalmente diferente. Meio que nem as origens do Wolverine, sabe? A cada nova edição, a história começava com "Esqueça tudo o que você achava que sabia sobre as origens do Wolverine".

Assisti em duas etapas o filme, porque descobri que meu primeiro download tinha vindo com uma hora a menos, mas ainda assim acho que isso não foi a causa principal pela minha dificuldade em pegar o enredo. Porra, no meio das conspirações e afins tem até a Revolução Cubana! Temos 800 personagens com nome de macarrão, e toda vez que alguém conversa, diz exatamente o oposto do que disse anteriormente pra outro sujeito. Aí, você pensa "Ah, ok, entendi, ele está enganando um deles!".

Mas não, no fim, ele estava enganando os dois, ou nenhum, ou ele mesmo se enganou, uma fuzarca sem tamanho.

LOST me deixou idiota, acho que foi isso.

Kay tem que ceder

Desde que assisti "Alguém tem que Ceder", o primeiro filme que eu me lembro de ter visto com a Diane Keaton, tenho um pensamento recorrente sobre esta atriz de tantos anos de carreira.

Que dentes horrorosos.

Sério. Juro que só quero vê-la em papéis dramáticos, para nunca mais ter a remota possibilidade de vislumbrar aquelas diminutas e amareladas aberrações.

Hoje, assisti "O Poderoso Chefão 2", como prometido. Ela encarna DE NOVO o papel chato de Kay Corleone, esposa de Michael Corleone, o chefão do filme, empossado no final do primeiro.

Mais uma vez, a mesma coisa. Papéis femininos torrando a paciência do público no meio das maquinações da Máfia. Ela chora. Ela reclama. Ela quer levar os filhos embora. E ela é feia. Bem feia. Sei lá que porra de padrão de beleza havia naquela época, mas ela era bem jovem, e já bem feia, com aquela cara amassada de cachorro...

Ok, naquela época os símbolos sexuais eram meio exóticos, mas acho que dava pra arrumar coisa melhor que ela sem abrir mão de uma atuação decente.

Bom, pelo menos ela não sorri em cena nenhuma do filme.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Apollonia rest in peace

Uma daquelas obras que a gente sente que TEM que ver, às vezes até mente que já viu, e enrola na conversa, pra não ficar chato, é O Poderoso Chefão. Eu nunca tinha visto. E, confesso, menti várias vezes que já tinha, pra não ter que ouvir comentários imbecis do tipo "Pooorra, cê tem que ver". Claro que eu tenho que ver, quando der, eu vejo...

Enfim, hoje, assisti. O primeiro, ainda. Estou com os outros dois na agulha. Percebi duas coisas interessantes sobre o filme. Primeiro, que é um ótimo filme, mas, quando dá aquela vontade de pensar críticas, você fica se sentindo como quando vai jantar num restaurante caro. Ou seja, você acha que, se teve ALGO que você não gostou, a culpa é sua, do seu mau gosto. O filme tem quase 3 horas, e em alguns momentos fiquei com aquela impressão de "Putz, que cena longa e desnecessária". Mas, antes que o pensamento se solidificasse na minha cabeça, ele já virava "olha a sutileza da montagem das cenas, voltadas para a construção de cada personagem", e blá blá blá. É aquela coisa da roupa nova do rei, a gente fica com medo de falar mal, porque acha que todo o resto do mundo que achou aquele filme um primor não pode estar errado.

Mas assim, fica parecendo que eu não gostei. É mentira. Eu gostei bastante. Dizem que o segundo é ainda melhor, espero que seja verdade, andam faltando bons filmes.

A segunda coisa que percebi é que os papéis femininos (talvez por culpa da época do filme, ambientado em 45 e filmado em 72) são majoritariamente pífios. Ou temos a mamma gordona que cozinha, ou noivinha saco de pancada, ou a belíssima Apollonia, uma italianinha deliciosa, que, mesmo deliciosa, consegue me cansar nos 10 minutos em que aparece no filme, num papel meio decorativo. Quando o carro explode e ela vai importunar outras redondezas, a gente se mexe na cadeira, pois dá aquela impressão de que fizeram uma lipoaspiração na trama, e ela vai embalar um pouco.

Enfim, nada contra personagens femininos. Mas, em filme de máfia, onde a gente quer se sentir machão, vendo tiroteio e afins, mulher chorando, gritando e reclamando afeta nossa testosterona e brocha um pouco a diversão. Descanse em paz, Apollonia, e não volte até ter aprendido a atirar.

terça-feira, 20 de maio de 2008

A lei que comprova a lei

Como era de se esperar, taí: fiquei cerca de 20 dias sem postar nada. E não senti falta. Diferente dos possíveis vícios da humanidade, cigarro, bebida, punheta, novela e chocolate, "blogar" é daqueles que eu simplesmente não entendo a necessidade. Vejo gente postando loucamente, diariamente, algumas mais de uma vez ao dia... Com fotos, citações, links... Gente, vamos arrumar um emprego, ler um livro, sei lá. Minha vida é ok, nem mais, nem menos divertida que a média do povo por aí, e eu também não faço feio ao escrever. Só não sinto essa necessidade doentia que os blogueiros em geral têm de expôr, de comentar. Aliás, chega de falar dos filmes que baixei na Internet.

Quero falar hoje sobre a porra da morte da porra da Isabella Nardoni. Quem me conhece sabe que eu já falei minha opinião sobre o acontecido na roda de bar, no grupo de e-mails, até nas reuniões de família. Talvez isso explique porque eu NÃO SINTA a necessidade incrível de falar, aqui, da mesma coisa. Mas, se não for isso, vou falar do que comi no café da manhã, ou do filme do Homem de Ferro. Assim...

Pai e madrasta matam acidentalmente/premeditadamente a pimpolhinha fofinha de 5 anos, e jogam do sexto andar o corpo, ou a moribunda. Ok, ok, trágico.

Dias depois, mais de 1000 pessoas postam scraps no Orkut da mãe dando solidariedade pela perda. Donde tiramos que:

Primeiro, mais de 1000 pessoas que devem ter seus próprios problemas, de filho drogado a prestação vencida de mais de três meses das Casas Bahia, parando o que estão fazendo para descobrir o nome da mamãe Nardoni.

Segundo, mais de 1000 pessoas que devem ter seus próprios problemas, de não conseguir se alfabetizar a não conseguir caber numa calça tamanho 60, se mobilizando para descobrir o Orkut da mamãe Nardoni.

Terceiro, mais de 1000 pessoas que devem ter seus próprios problemas, de desemprego crônico a marido infiel, se esforçando para escrever uma mensagem de solidariedade tocante para a mamãe Nardoni.

Achei que, nesse país de padres voadores e cartões corporativos que viram tudo piada, ALGUMA COMUNIDADE do Orkut teria sacaneado a menina. Quando olhei, isso há uns 15 dias, existiam mais de 1000 comunidades sobre Isabella Nardoni, NENHUMA DELAS tirando um barato da situação. Todas eram a mesma babação de ovo, "Isabellinha, nosso anjo, vai deixar saudade" e o escambau. FORA, é claro, que um porrilhão de idiotas mudou o próprio nick pra "de luto por Isabella Nardoni".

A média de membros das comunidades era, vamos chutar, cerca de 1000 pessoas. Conta rápida, 1000x1000, um milhão. E olhem que eu estou sendo BEM modesto, que provavelmente o número seja maior que esse, embora - incrivelmente - muitas pessoas participem de várias comunidades IGUAIS sobre o assunto simultaneamente.

Enfim, trabalhemos com esse número. Um milhão de imbecis.

Turma, quantas crianças de 5 anos vocês acham que morrem por dia? Pra agradar mesmo os chatos conspiratórios de costume, NA CLASSE MÉDIA, quantos? Morre uma porrada de gente o tempo todo, e vocês, de repente, acham que tudo parou, porque "o nosso anjinho" se foi. De repente, ninguém mais fala de nada minimamente macrocósmico, tipo política, segurança, educação, até mesmo a porra da Olimpíada ficou em segundo plano. Mesmo umas semanas depois, com o furacão que detonou Mianmar e o terremoto que trouxe abaixo a China, NINGUÉM PARA DE FALAR DESSA MENINA. Nem os jornais sérios e sisudos.

Por isso que a porra do Big Brother faz sucesso. Num mundo onde um milhão de pessoas foi deixar scrap no Orkut da mamãe Nardoni, não é nada estranho que uma quantidade semelhante ligue semanalmente pra dizer quem dos anormais da mansão vai ter que voltar pro canil. Cuidar da vida alheia é esporte nacional. O Ronaldinho ter gastado seus milhões com um traveco - aliás, três travecos, feios, ainda por cima - ocupa mais as manchetes e as rodinhas que o terceiro mandato que esse toco de árvore que nos governa está subliminarmente nos empurrando (entre outras atrocidades de interesse nacional que infelizmente não atraem interesse algum na nação)

Sei lá. Eu até entenderia, com um pouco de esforço, que todo mundo tá projetando, introjetando, ou qualquer outra gíria psicanalítica, o choque de imaginar que criancinhas de 5 anos morrem tanto quanto o Raul Cortez. Mas daí ao povo sair por aí dizendo que "ela vai deixar um vazio na nossa vida"?

Gente, aos 5 anos, nem o Macaulay Culkin deixou um vazio na vida de um milhão de pessoas.

Fora que, se fosse anjo, que voasse.