quarta-feira, 16 de abril de 2008

Um Morto Muito Louco - Director´s Cut

Confesso que não sou fã de filme arte. De vez em quando escapa um Almodóvar da vida aí, até um mais normal, tipo Scorcese e afins. Mas sou chegado mesmo em cinemão pipoca. E um filme clássico da minha infância e adolescência, um medalhão da Sessão da Tarde, é "Um Morto Muito Louco 2".

Bom, vejamos, só o título já fala tudo. Tem um morto no papel principal. E, ao invés de ser uma coisa (obviamente) mórbida, o filme é uma comédia (O "muito louco" dá uma boa dica do rumo do enredo). Uma comédia sobre um defunto já é um bom começo. Multiplique-se isso pelo fator politicamente incorreto e caótico dos anos 80, e pronto, temos duas horas de diversão saudável e descompromissada.

No entanto, assumo minha falha culutral ao dizer que nunca - até ontem - tinha assistido o "Morto Muito Louco 1". De modo que, por mais caótico e sem sentido que seja o segundo filme, fica aquela pulga atrás da orelha te perguntando "Peraí, quem é esse cara, como ele morreu, e que esses outros dois imbecis de blazer azul-calcinha estão fazendo correndo atrás dele?".

Assim sendo, resolvi tapar este buraco no meu repertório, e gastei minhas últimas colheradas de Internet pra baixar esta pérola, "Um Morto Muito Louco 1".

Olhe, vale a pena. Em termos de "diversão saudável e descompromissada" ele está ali no alto. Perde para o segundo filme, que assistir ao Bernie Lomax dançando, enfeitiçado, o filme inteiro, é impagável (apesar do funk carioca ter se apropriado da coisa para mais uma obra prima musical, anos e anos depois). Mas o filme todo é um primor oitentista. Das roupas aos diálogos, aos personagens, ao sentimento de "não vamos nos preocupar em fazer um filme que faça muito sentido, ninguém quer isso mesmo". Está cabeça a cabeça com "Sem Licença para Dirigir", "Gatinhas e Gatões" ou "Loverboy", e outros que vocês mesmos devem lembrar.

Rapidinho? Dois caras que trabalham numa empresa de seguros descobrem uma fraude, e contam para o chefe. O chefe, na verdade, era quem estava por trás do golpe,e resovle matar os dois. Os mafiosos contratados para o serviço, no entanto, acham que o sujeito está muito descuidado, e matam o chefe em vez dos dois empregados, que estão passando o final de semana na mansão do primeiro. Quando eles descobrem que o cara morreu, em vez de chamarem a polícia, resolvem - como qualquer um faria - tocar uma esbórnia o final de semana inteiro na mansão, aprontando, como diria o locutor da Sessão da Tarde, um grande confusão.

Talvez, agora, com este conhecimnto recém adquirido, eu possa assistir a continuação dotado de uma nova compreensão. Por outro lado, mais provável que eu só fique me deliciando com o Bernie Lomax fazendo a dancinha clássica, sem pancadões cariocas, pura e sem gelo.

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