quarta-feira, 9 de abril de 2008

Crítica de cinema para leigos

Acabei de assistir "Donnie Darko". É um filme de 2001, com o cara que depois viria a ser um dos cowboys homossexuais de Brokeback Mountain. Filme visualmente interessante, com umas passagens complicadas, final confuso, e tal. Guardadas as devidas proporções, é um misto de "Pequena Miss Sunshine" com "Cidade dos Sonhos". Humildemente, fui pesquisar na Internet pra tentar entender melhor o filme, já que não tenho disposição pra assistir o negócio de duas horas de novo e de novo, até entender.

Se você não assistiu ainda, veja, vale a pena. Não é a coisa mais maravilhosa do universo, mas é bacana. Mas te garanto que você vai boiar em metade da trama. Enfim, num dos muitos sites pelos quais perambulei para chegar a uma conclusão, achei um, nacional, razoável, em forma de fórum, um sujeito falava o que achava, outro concordava, discordava, acrescentava, corrigia, e assim por diante. De repente, uma pérola Caetaneana. Olhem que genial o comentário que um luminar deixa no fórum, entre tantas elocubrações sobre o filme:

"Fico feliz toda vez que encontro um admirador desse filme. Respeito profundamente a sua análise. Mas acho que o filme está a cima de qualquer versão, compreensão ou entendimento. São tantos elementos importantes, simbólicos e universais que qualquer tentativa de “entender” a história acaba diminuindo o verdadeiro valor do filme. O filme é muito mais do que uma sacada ou um roteiro esperto. Todas as hipótese levantadas até agora... essas coisas acabam sendo um detalhes. As angústias do protagonista, o vazio da vida que ele tinha, a mediocridade das pessoas, o quanto ele se sentia sozinho, o fato dele ser um incompreendido… isso tudo e outros pontos que fazem o filme ser especial. É o cinema como deve ser. É a arte como deve ser. Sem sacadas, sem lições… mas com sensações. O filme tem uma atmosfera, tem uma cara, tem um universo próprio, um estilo, um traço, uma unidade… é um quadro, uma pintura. É pra sentir, não é para entender e dizer: “Ah… caramba! Era isso! Genial!”. É um filme sensível, apesar do esforço racional envolvido. É um filme “escuro” mas bonito.
Enfim… se o que eu escrevi parece meio vazio, me perdoem. Mas é difícil definir o que eu acho desse filme. E a dificuldade de definir e de fechar uma idéia são um sinal de que o filme realmente vai além da sacação. Acho que o próprio personagem de Donnie veria o filme dessa forma."


É, sem sombra de dúvida, uma obra de arte do falar muito, e não dizer nada. Dá, inclusive, para recortar e colar este texto e aplicar como crítica de 98% dos filmes produzidos. Querem ver? Pensem em qualquer filme que vocês viram no último ano. Agora leiam o texto de novo.

Viram? Genial.

Esse cara acabou de inventar o coringa das críticas cinematográficas.

Nenhum comentário: