terça-feira, 29 de abril de 2008

The Stand

Nunca fui muito fã de Stephen King. Li "O Iluminado" e uma ou outra coisa. Digamos que ele acerte muito em algumas tentativas, mas depois ele pára de tentar. O cara de certa forma faz um terror misto de novela das 8 com filme trash do Zé do Caixão, não consegui ainda localizar o que me incomoda nos livros/filmes dele. Só sei que me cansam um pouco.

Nos últimos dias, mesmo assim, me dei ao trabalho de baixar e assistir "The Stand", uma minissérie em 4 capítulos baseada num livro do sujeito. A premissa é boa, um vírus criado em laboratório pelos militares americanos escapa, e sai matando todo mundo. A primeira das quatro partes é isso, mostra os caras tentando conter a doença, a coisa saindo do controle, e tal. Interessante.

Na segunda parte, no entanto, já está quase todo mundo morto, exceto uns 5% da população, então vemos aqueles cenários pós apocalípticos cheios de cadáveres apodrecendo nas ruas, gangues se matando, carros batidos, casas pegando fogo, e por aí vai. Aí, começa a frescura. Entra aquele componente humano, as pessoas chorando pelos mortos, dezenas de diálogos quase iguais sobre "o que vai ser de mim agora?" e variações sobre o tema. De repente, a coisa degringola. Entram uns elementos religiosos na história, com uma velhinha boazinha que afirma falar a vontade de Deus, e que orienta os sobreviventes "bonzinhos", e um outro sujeito que é um caipira bonitão de mullets que - fica subentendido -, é o diabo, é um emissário do diabo, é um apóstolo do diabo, ou coisa assim.

Já acho que botar religião, ainda mais UMA religião específica, como o Cristianismo, no caso de "The Stand", é um ótimo jeito de segmentar a história e mandar um monte de espectador mudar de canal. Mas, enfim, o Stephen King ganha mais dinheiro que eu escrevendo, então não vou criticar. Mas continuemos.

Na terceira parte, os dois grupos de sobreviventes, mauzinhos e bonzinhos, formam duas cidades separadas, a uns 400 km uma da outra. Como num filme da Xuxa, os maus são maus 100% do tempo. Usam roupas pretas, querem machucar os bonzinhos, gargalham e afins. Os bons, por outro lado, são todos companheiros, altruístas, solícitos e doces como uma crise diabética. Como se não bastasse, nessse capítulo temos o adicional chateante da formação de novos casais no grupo, nos brindando com cenas de ternura, nheco nheco e bilu bilu no meio de uma catástrofe mundial. Num salto de roteiro, então, os bonzinhos resolvem, de uma forma não muito bem explicada, baseada em sonhos que o grupo todo estranhamente tem, que eles deveriam confrontar os maus, ou iriam morrer. Algo do tipo "vamos matar os satanistas antes que eles tragam o maldito rock and roll pras nossas famílias"

Nessa altura, já estava meio frustrado com o quanto de coisa mal amarrada tinha na história. O tal diabão parecia não ter um propósito muito claro, ele ficava espalhando o caos, transmutando-se em coisas horríveis, acendendo os olhos e chacoalhando o mullet pela cidade, mas não dava muito pra entender qual era a do sujeito. Faltou um "comentários do diretor", aí.

Nisso, os bonzinhos atravessam os 400 km A PÉ, como se fossem o Forrest Gump, e aí temos um "confronto final" bem capenga, da motivação ao efeito especial, da explicação aos diálogos. Putz, até falar dessa série é frustrante.

Enfim, pegaram um filme sobre o fim do mundo, epidemia, e afins, e transformaram numa bobajada religiosa que não apela nem aos religiosos. E ensinam as pessoas que, se você for fazer uma viagem de 400 km, tudo o que você precisa é de um bom par de tênis e de bons amigos pra contarem piadas no trajeto.

Uma carinha triste para "The Stand".

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Assistam Family Guy. Já.

Tenho assistido muito "Family Guy", aquele desenho que, sem justiça, comparam com "Simpsons" e que, no Brasil, foi traduzido como "Uma Família da Pesada".

Como discutido anteriormente, o sufixo "da Pesada" já imbeciliza qualquer coisa. Dá vontade de colocar toda matéria de má notícia no jornal como "da Pesada", pra aliviar o baque, imaginem? "Um mensalão da pesada! Uma turminha de deputados muito louca, aprontando confusões ESCANDALOSAS em Brasília!". Certamente eu ficaria menos puto lendo isso que as manchetes usuais...

Mas enfim. O desenho é BOM. Muito bom. Rápido, agressivo, politicamente incorreto, com fortes doses de nonsense, referências pop ou não tão pop a tudo o que você possa imaginar, de Star Wars a Mark Twain, de História Medieval a polêmicas étnico-sociais. Na verdade, é difícil saber como o Seth McFarlane, criador e pai da criança (ele faz um monte de vozes dos personagens, bola as piadas, acho que ele até desenha e dirige o negócio) não foi preso ainda.

Descrever o desenho é difícil, já que os personagens são muito mais complexos que o menino peralta e skatista, a menina inteligente saxofonista e o bebê que não fala nem envelhece há 12 anos. Mais fácil que isso, é assistir um punhado de episódios e entender o negócio todo. Dando uma resvalada no tópico, apenas, saibam que o nenê da família é um gênio do Mal na busca pela conquista mundial, e o cachorro da família lê Hemingway, bebe martinis e aparenta ser a "pessoa" mais normal do elenco de mais de 100 personagens. Mas minha descrição não lhe faz justiça, volto a dizer.

Incrivelmente, o desenho sempre é comparado com "Simpsons". Simpsons é ok, confesso. Já me diverti muito com eles. Mas eles são uma família malucona em desenho animado, onde mãe, pai, cachorro, menina, menino e bebê convivem e aprontam as mais loucas confusões. Familiar? Sim, de fato. MAS AS SEMELHANÇAS QUASE ACABAM AÍ. Gosta de Simpsons? Nada contra, mas não se sinta na obrigação de atacar ou criticar Family Guy por causa disso. Eles estão a quilômetros de distância um do outro. Jetsons e Flintstones falam de famílias que aprontam as mais loucas confusões, e ninguém nunca comparou com os Simpsons. Ainda bem, porque os Estúdios Hanna Barbera nunca produziram nada que me fizesse rir, nem sob o efeito de drogas.

Na realidade, Simpsons já criticou Family Guy de modo agressivo, dentro e fora do desenho, como sendo um plágio. Depois de 2349823 anos fazendo a mesma coisa, o Matt Groening, criador dos sujeitos, deve estar cansado, com vontade de se aposentar, e não tem mais humor pra concorrência.

Novos tempos, Mattie. Seth McFarlane é mais novo, mais ágil, mais ousado, e muito, muito mais engraçado.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Um Morto Muito Louco - Director´s Cut

Confesso que não sou fã de filme arte. De vez em quando escapa um Almodóvar da vida aí, até um mais normal, tipo Scorcese e afins. Mas sou chegado mesmo em cinemão pipoca. E um filme clássico da minha infância e adolescência, um medalhão da Sessão da Tarde, é "Um Morto Muito Louco 2".

Bom, vejamos, só o título já fala tudo. Tem um morto no papel principal. E, ao invés de ser uma coisa (obviamente) mórbida, o filme é uma comédia (O "muito louco" dá uma boa dica do rumo do enredo). Uma comédia sobre um defunto já é um bom começo. Multiplique-se isso pelo fator politicamente incorreto e caótico dos anos 80, e pronto, temos duas horas de diversão saudável e descompromissada.

No entanto, assumo minha falha culutral ao dizer que nunca - até ontem - tinha assistido o "Morto Muito Louco 1". De modo que, por mais caótico e sem sentido que seja o segundo filme, fica aquela pulga atrás da orelha te perguntando "Peraí, quem é esse cara, como ele morreu, e que esses outros dois imbecis de blazer azul-calcinha estão fazendo correndo atrás dele?".

Assim sendo, resolvi tapar este buraco no meu repertório, e gastei minhas últimas colheradas de Internet pra baixar esta pérola, "Um Morto Muito Louco 1".

Olhe, vale a pena. Em termos de "diversão saudável e descompromissada" ele está ali no alto. Perde para o segundo filme, que assistir ao Bernie Lomax dançando, enfeitiçado, o filme inteiro, é impagável (apesar do funk carioca ter se apropriado da coisa para mais uma obra prima musical, anos e anos depois). Mas o filme todo é um primor oitentista. Das roupas aos diálogos, aos personagens, ao sentimento de "não vamos nos preocupar em fazer um filme que faça muito sentido, ninguém quer isso mesmo". Está cabeça a cabeça com "Sem Licença para Dirigir", "Gatinhas e Gatões" ou "Loverboy", e outros que vocês mesmos devem lembrar.

Rapidinho? Dois caras que trabalham numa empresa de seguros descobrem uma fraude, e contam para o chefe. O chefe, na verdade, era quem estava por trás do golpe,e resovle matar os dois. Os mafiosos contratados para o serviço, no entanto, acham que o sujeito está muito descuidado, e matam o chefe em vez dos dois empregados, que estão passando o final de semana na mansão do primeiro. Quando eles descobrem que o cara morreu, em vez de chamarem a polícia, resolvem - como qualquer um faria - tocar uma esbórnia o final de semana inteiro na mansão, aprontando, como diria o locutor da Sessão da Tarde, um grande confusão.

Talvez, agora, com este conhecimnto recém adquirido, eu possa assistir a continuação dotado de uma nova compreensão. Por outro lado, mais provável que eu só fique me deliciando com o Bernie Lomax fazendo a dancinha clássica, sem pancadões cariocas, pura e sem gelo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Camelô é coisa do passado, Capitão Sky é coisa do amanhã

Não consigo mais ir no camelódromo, misturar-me com aquele tanto de gente educada e amistosa já não desce mais minha goela. E esse é o motivo EGOÍSTA pelo qual eu não compro mais produtos piratas.

Já o motivo ALTRUÍSTA, que, imagino, pesa aí seus 20% na decisão, é que, se eu piratear eu mesmo meus produtos, não dou dinheiro a Law Kim Chong nenhum, e não incentivo crime organizado, e coisa e tal.

OBVIAMENTE, não estou falando de costurar meus proprios Nikes falsos, mas de baixar coisas na Internet. Se, um dia, eu puder baixar um Nike pela Internet, conversaremos sobre isso. Por ora, meus crimes são músicas, jogos, filmes, livros e quadrinhos.

Livro, confesso, já desisti. Ler 400 páginas de Harry Potter na tela do computador, por mais confortável que seja a sua poltrona, render-lhe-á um bronzeado na retina que faz a experiência ser muito pouco recomendável. Já o resto, com paciência, um pouco de orientação e uma boa conexão, é bem praticável.

Enfim, última aquisição gratuita que tive foi o "Capitão Sky e o Mundo do Amanhã". Sei, sei, o filme é velho, mas eu estou com uma longa lista de pendências, então, aproveite, e, se você não viu, poupe-se do trabalho.

Avaliação inicial? O filme é ok, bem daqueles que você acaba de ver e fala "Hm. Ok."

Foi de graça, então não dá pra reclamar muito. Temos o Jude Law sendo o Jude Law (que não me desagrada totalmente), a Gwyneth Paltrow sendo a Gwyneth Paltrow (que já cansa um pouco, ela é meio "ela mesma" demais pro meu gosto), a Angelina Jolie NÃO SENDO uma gostosa inacreditável (tarefa árdua) e o Giovanni Ribisi num papel de "ajudante do mocinho" que não lhe faz justiça. Acho que ele merece mais, mas, enfim, ninguém assistiria um filme com ele sendo o mocinho principal.

O filme tem aquele tom dos quadrinhos da era de ouro, o herói é bonitão, a mocinha é inconsequente e meio indefesa, o bandido é misterioso e sinistro... Mas, obviamente, com uns toques contemporâneos. Por algum motivo, hoje em dia, todo herói é anti herói, e toda mocinha é uma Ninja formada em Engenharia de Foguetes. Nada contra a humanização das personagens, ou contra o feminismo em dose homeopáticas, mas seria legal deixar que o tom original da história fosse mesmo deslocado no tempo, uma vez que a história (embora não diga, eu acho) se passa lá por 1940.

Rapidinho? Gênio do mal sai por aí sequestrando cientistas para construir grande dispositivo de destruição mundial e executar o tradicional plano "O mundo não me compreende, vou acabar com tudo". Surge Capitão Sky, loiro, lindo, sorridente, e salva o dia, com a ajuda/incômodo da loira, bela e ousada repórter. Meio Superman demais? Sim, um Superman anos 40. Lembrou um pouco Rocketeer, que tb foi baseado num quadrinho, se não me engano, e lançado em cinema há coisa de uns 15 anos. O filme ganhou notoriedade por ter sido feito em Computação Gráfica, inteiro, exceto pelos atores. Pelo menos isso, pois o resultado não é muito "notório".

Avaliação final? Se estiver passando na Sessão da Tarde, pode ver, mas não se incomode de ir ao banheiro no meio. Se não, use essas duas horas para ler um livro, ou tentar explodir pessoas com o poder da sua mente.

Ruim de arranque, pior de final.

Primeira regra do blog sacal: Fale sobre coisas que só interessam a você. Assim, não vou falar como foi meu dia, nem o que comi no café da manhã, nem o que estou sentindo porque "a garota dos meus sonhos nem sabe que eu existo", ou algum outro tipo de masturbação autopiedosa tão comum que blogs costumam promover.

Queria falar sobre filmes, games, literatura, TV e afins. Mas isso envolveria consumir tais coisas num ritmo que eu não consigo compreender. Então, vou tentar postar no ritmo em que estas coisas surgem. E mais, usando bem o tempo, quando eu falar de um filme, por exemplo, não vou ter estudado a carreira do diretor, o "por trás das câmeras" ou o "viral da internet" da película. Vou, assisto, comento, próximo.

Pode ser que o blog morra rapidinho. Na verdade, eu apostaria nisso. O tempo usado no blog poderia ser usado pra assistir filmes, que eu comentaria no blog. Profundo, não? Um verdadeiro paradoxo.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Crítica de cinema para leigos

Acabei de assistir "Donnie Darko". É um filme de 2001, com o cara que depois viria a ser um dos cowboys homossexuais de Brokeback Mountain. Filme visualmente interessante, com umas passagens complicadas, final confuso, e tal. Guardadas as devidas proporções, é um misto de "Pequena Miss Sunshine" com "Cidade dos Sonhos". Humildemente, fui pesquisar na Internet pra tentar entender melhor o filme, já que não tenho disposição pra assistir o negócio de duas horas de novo e de novo, até entender.

Se você não assistiu ainda, veja, vale a pena. Não é a coisa mais maravilhosa do universo, mas é bacana. Mas te garanto que você vai boiar em metade da trama. Enfim, num dos muitos sites pelos quais perambulei para chegar a uma conclusão, achei um, nacional, razoável, em forma de fórum, um sujeito falava o que achava, outro concordava, discordava, acrescentava, corrigia, e assim por diante. De repente, uma pérola Caetaneana. Olhem que genial o comentário que um luminar deixa no fórum, entre tantas elocubrações sobre o filme:

"Fico feliz toda vez que encontro um admirador desse filme. Respeito profundamente a sua análise. Mas acho que o filme está a cima de qualquer versão, compreensão ou entendimento. São tantos elementos importantes, simbólicos e universais que qualquer tentativa de “entender” a história acaba diminuindo o verdadeiro valor do filme. O filme é muito mais do que uma sacada ou um roteiro esperto. Todas as hipótese levantadas até agora... essas coisas acabam sendo um detalhes. As angústias do protagonista, o vazio da vida que ele tinha, a mediocridade das pessoas, o quanto ele se sentia sozinho, o fato dele ser um incompreendido… isso tudo e outros pontos que fazem o filme ser especial. É o cinema como deve ser. É a arte como deve ser. Sem sacadas, sem lições… mas com sensações. O filme tem uma atmosfera, tem uma cara, tem um universo próprio, um estilo, um traço, uma unidade… é um quadro, uma pintura. É pra sentir, não é para entender e dizer: “Ah… caramba! Era isso! Genial!”. É um filme sensível, apesar do esforço racional envolvido. É um filme “escuro” mas bonito.
Enfim… se o que eu escrevi parece meio vazio, me perdoem. Mas é difícil definir o que eu acho desse filme. E a dificuldade de definir e de fechar uma idéia são um sinal de que o filme realmente vai além da sacação. Acho que o próprio personagem de Donnie veria o filme dessa forma."


É, sem sombra de dúvida, uma obra de arte do falar muito, e não dizer nada. Dá, inclusive, para recortar e colar este texto e aplicar como crítica de 98% dos filmes produzidos. Querem ver? Pensem em qualquer filme que vocês viram no último ano. Agora leiam o texto de novo.

Viram? Genial.

Esse cara acabou de inventar o coringa das críticas cinematográficas.