domingo, 7 de setembro de 2008

Juno

Lembro quando assisti Pequena Miss Sunshine. Numa daquelas coincidências da vida, TODO MUNDO começou a falar pra eu assistir o filme ao mesmo tempo. Gente de rodas sociais diferentes, todo mundo de repente encaixava na conversa que o filme era incrível, um verdadeiro divisor de águas. Quando finalmente assisti, achei um grande "Nhé...", aquela coisa de cinema independente americano padrão: "Família esquisitona e disfuncional de uma cidadezinha no interior dos EUA passa por uma série de situações estranhas e aprende a se entender e a se amar no final o filme". Não chegou nem perto de mudar minha vida, achei bem genérico o filme.

Enfim. Hoje assisti Juno. meio cansado, então nem vou descrever o filme. É melhor que Pequena Miss Sunshine. Mas também é um grande "nhé...". Objetivamente, uma única coisa me fodeu a paciência no filme. Você vê aquelas críticas masturbatórias, dizendo que a "direção é delicada", "os diálogos são muito bem trabalhados", e sabe que vem umas coisas meio xaropes, cenas desnecessárias e coisas do gênero, mas nem todo filme precisa ser objetivo como Superman II.

Mas, na tentativa de criar uma personagem "pária social / moleca / irreponsável", o diretor, a atriz e quem mais tivesse participado da construção da coisa acabaram criando uma menina que é tão irreal que, até o meio do filme, fiquei pensando se teria paciência pra vê-la mais alguns minutos na tela. Ficou parecendo uma versão pseudolésbica do Menino Maluquinho, como palavrões desnecessários e inverossímeis. Qualquer pessoa com um mínimo de sangue quente teria dado um cascudo nela antes de acabarem os crédito iniciais. Numa comparação mediana, é como ler O Mundo de Sofia. O filósofo esquisitão está lá, quebrando o galho da menina e ensinando Filosofia de graça para ela, e ela só dá patadas e atravessadas no cara. O que o autor queria com isso? Provar que a Sofia era independente e descolada? Ou que a mãe dela não deu as chineladas na hora que devia?

Bom. Dá pra ver Juno, não é um lixo total. Mas, assim como Pequena Miss Sunshine, mudou a vida de um monte de gente que deveria ter muito pouco a esperar dela.

domingo, 3 de agosto de 2008

Comédia politicamente incorreta

Céus.

Mais um musical.

Que inferno.

Dessa vez, até que não foi tão mal, porque o filme Os Produtores é um remake de um musical da época em que musicais eram mais comuns, e o tema é a Broadway, e a montagem de um musical, então, faz mais sentido. Mas, ainda assim, a mesma coisa de antes. Gente demorando 15 minutos de cantoria pra falar instruções simples, mendigos dançando e cantando, e afins.

Ficha rápida: “Os Produtores”, refilmagem de obra de mesmo nome lá dos anos 60 pra 70, do Mel Brooks. A história fala sobre dois sujeitos, um produtor de musicais decadente e um contador, que armam um golpe para lavar dinheiro através de um musical fracassado. Para isso, eles escolhem a dedo uma peça horrível, com diretores e atores péssimos, e afins. É bem engraçado, se você conseguir deixar a cantoria de lado. As interpretações são um pouco teatrais demais, mas acho que isso também se encaixa com o tema da coisa toda.

O que me incomodou mais foi que o produtor, interpretado pelo Nathan Lane, para juntar fundos para a sua peça, se prostitui para centenas de velhinhas fogosas, e isso é mostrado de forma divertida e bem humorada, com uma horda de velhinhas de andador dançando pela rua.

Só eu acho que isso é meio errado? Imaginemos se fosse uma situação oposta. Se uma fulana precisasse de dinheiro para, sei lá, trocar de carro, pagar o transplante de medula do avô ou coisa assim, e saísse por aí dando pra todo mundo para juntar a tal quantia. Duvido muito que isso fosse mostrado de forma divertida e bem humorada. Mas quando é um homem fazendo isso, todo mundo se esbalda... Fica aquele gostinho de hipocrisia.

Como naquele filme “O Pai da Noiva”, da mocinha negra que arruma um namorado branco, e a família negra dela fica constrangendo o coitado durante o filme inteiro. Como é a família negra constrangendo o cara branco, é uma comédia. Se fosse o contrário, seria um filme cabeça, polêmico e o escambau. Ia ter protesto na estréia, ia ganhar Oscar e tal.

Como eu disse, gostinho de hipocrisia.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sweeney Todd, um cantor de barbearia

Opa, bastante tempo sem escrever. Vários filmes ruins assistidos. Vamos lá?

Vamos começar por Sweeney Todd, o Barbeiro Demoníaco de Fleet Street. Bom, verdade seja dita. Eu adoro o Tim Burton, e adoro o Johnny Depp. E gosto bastante da Helena Bonham Carter, até, mesmo ela fazendo sempre o mesmo papel de louca imunda e sinistra.

Mas tem uma coisa que eu não suporto é musical. E, acreditem, mesmo o tanto que eu gosto dos dois atores e do diretor não compensam o quanto eu NÃO TOLERO musicais.

Quando você está no teatro, na Broadway, ou qualquer bobagem do gênero, até faz sentido que tudo pare para as pessoas CANTAREM o que elas estão pensando, e não falarem, ou, melhor ainda, pensarem silenciosamente. Afinal de contas, óperas são assim, e óperas nada mais são que um teatro só com italianos gordos. De qualquer forma, não sou muito chegado em teatro, acho uma arte superestimada. E quando vejo as coisas chatas do teatro passadas para o cinema, acho especialmente angustiante.

Bom, rápida ficha. Sweeney Todd é um filme baseado numa peça de teatro, baseada num livro, baseada num cara real. Ou algo assim. Trama? Sujeito interpretado pelo Johnny Depp é traído, expulso da cidade, e perde a esposa e filha. Volta 15 anos depois, sob outro nome, em busca de vingança, e vai matando uma porrada de gente no processo. Para ficar mais divertido, quando ele mata alguém, a vizinha de baixo, interpretada pela Helena Bonham Carter, usa a carne do defunto para fazer tortas, que viram um sucesso com a vizinhança.

Como vocês devem imaginar, a “história real” na qual tudo é baseado é bem menos elaborada, era só um sujeito que matou um monte de gente há uns séculos. Mas ser baseado numa história real sempre ajuda a dar uns pontinhos pro filme.

Falando em pontinhos, pontos positivos do filme? O elenco todo é bem bacana. Gente boa mesmo, como o Alan Rickman (o Snape os filmes do Harry Potter) e Timothy Spall (o Rabicho, também do Harry Potter... putz, preciso melhorar meu repertório). A direção do Tim Burton, como sempre, é primorosa, um filme com um misto de cinzento e uma ou outra cor berrante, aquele clima meio “conto de fada / pesadelo”. A história é mediana, não chega a ser envolvente, mas não se dorme no meio do filme. A violência é bem gráfica, às vezes chega a ser meio excessiva, mas nada que seja de mau gosto.

Ponto negativos? Bom, a resposta óbvia seria a maldita cantoria. Porém, além do constrangimento geral causado por pessoas cantando e dançando no meio da rua sem razão aparente, percebi que musicais têm um problema A MAIS. Quando o sujeito diz “Fulano, você me traiu há 15 anos e hoje eu vou me vingar cortando sua garganta!”, isso demora menos de 10 segundos. Para conseguir o mesmo efeito num musical, onde ele irá dizer isso 30 vezes, saltitando entre os móveis, rodopiando navalhas, fazendo jogral com mendigos dançarinos na rua e outras peripécias, a coisa toda acaba tomando uns 5 a 10 minutos da película. Multiplique isso por uns 20 ou 30 “momentos musicais” no filme, e pronto, temos um enredo que, resumido, acaba possuindo apenas um terço de FILME, de verdade, com enredo, acontecimentos, e afins. Aí, além de você se irritar com as músicas, você percebe também que levou gato pelo preço de lebre, seu filme de mais de duas horas tem apenas uns 40 minutos de tutano. Triste? Bom, eu acho. Mas isso sou eu.

Resumindo? Nah, não assista. Quer ver um filme bacana do Tim Burton? Veja Peixe Grande. Ou, se quiser ver um filme bacana do Tim Burton com o Johnny Depp, veja Edward Mãos de Tesoura, ou O Cavaleiro Sem Cabeça.

Pelo menos a porra de um Cavaleiro sem Cabeça não canta.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Taxi Driver - Bandeira 1

Olha, como eu já disse quando falei sobre o Poderoso Chefão, tem sempre aqueles clássicos dos quais você não pode falar mal, que vai incomodar uma massa de admiradores ou gente sem opinião própria. Isto dito, essa semana vi "Taxi Driver", do Scorcese. Olha, tudo bem, ele é meio datado, talvez por isso eu tenha achado o filme meio "qualquer nota". Mas só posso dizer que não mudou minha vida. O Robert de Niro está bem, a Jodie Foster está bem também... Até a Cybill Shepherd, que eu sempre achei meio genérica, engana bem.

MAS, para um filme tão polêmico e cheio de histórias por trás, eu achei meio sem sal. Senti mais ou menos a mesma coisa que eu senti quando li "O Apanhador no Campo de Centeio". Porra, o livro era super controverso, mas ninguém falava do conteúdo, sempre falavam do fato dele ter sido encontrado no bolso do cara que matou o John Lennon, e sido o livro de cabeceira de mais uns tantos maníacos por aí. Quando li, achei um grande "hmmm... ok".

"Taxi Driver", para mim, foi isso. Um grande "hmmm... ok". Pra quem não conhece, o filme é de uns 30 anos atrás. O taxista do título é o Robert de Niro, e ele é um veterano do Vietnam, Guerra da Coréia, essas roubadas. Ele volta da guerra, e está com problemas para dormir. Logo, resolve trabalhar o turno da noite de taxista. Enquanto isso, ele vai vendo aquele mundo decadente, de drogas, prostituição infantil, e o escambau, durante as rondas noturnas dele. E vai ficando puto, imagino que por causa daquela sensação "eu lutei, tomei tiro, me ferrei lá, e aqui tá essa zona". Até aí, ok. Aí, ele se apaixona pela Cybill Shepherd, que é coordenadora de campanha de um candidato, pré candidato, sei lá o que, à presidência dos EUA.

Ele se aproxima dela, com um papo todo "sou esquisitão, e por isso posso ser diferente dos caras que você conhece", e a coisa vai indo bem (nota mental: “testar xaveco do esquisitão”). Mas o cara é tão esquisitão que, depois de um tempo, ela perde a paciência e manda o cara passear. Ao mesmo tempo, o incômodo dele com a sociedade vai ficando mais e mais pesado, e ele resolve comprar um monte de armas, e sair matando gente por aí.

Aí que a coisa pega. Ele começa querendo matar o candidato, o tal carinha para quem a Cybill Shepherd trabalha. Sem um motivo muito sólido. Não dá pra entender se é porque ele é importante e vai dar visibilidade pro caso. Ou se ele acha que o cara é um hipócrita demagogo e por isso representa o que há de mais podre naquela sociedade que ele detestava. Ou pra se vingar da mulher que o abandonou. Sei lá, perdi essa, mesmo.

Mas, de qualquer forma, ele não consegue matar o sujeito. E aí, tenta ajudar a Jodie Foster, que é uma prostituta mirim, de uns 12 anos. Dá dinheiro pra ela, tenta convencê-la a “sair dessa vida”, e afins.

E, obviamente, vem uma grande confusão ao final, que vou poupar os leitores que queiram assistir ao filme. E a coisa fica meio no ar.

Ou eu ando muito burro, ou o filme é meio gratuito.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Direto do Telejogo para sua telinha!

Opa, como eu disse, meu repertório de filmes baixados é composto de filmes ruins, e filmes clássicos. Dessa vez, o cardápio do dia é TRON, de 1982. Eu já tinha assistido ao filme, mas isso quando eu tinha cerca de quatro anos, então, não conta muito. Desta vez, no conforto da minha cadeirinha de computador, me preparava para começar a exibição, quando vejo “Estúdios Disney apresentam: TRON”. Hmmm. Estúdios Disney nunca são uma boa coisa. Quando eles fazem coisas pra criança, fatalmente, em algum momento, teremos animais, ou mesmo objetos, cantando e dançando. E quando eles fazem coisas para adultos (ou, pelo menos, para “não exclusivamente crianças”, como Piratas do Caribe), o resultado sempre é um meio termo meio ingênuo e bobinho.

Enfim, o filme já está aí, baixado, e tem seu rótulo de clássico, vamos lá. A história, para quem não sabe, é bem simples. Um hacker é engolido por um mega computador, e é obrigado a se virar para sobreviver em meio a uma cidade virtual dominada por um tirano-programa, que deseja “assimilar” outros programas pelo mundo em busca de mais poder. O filme tornou-se um clássico por causa do uso bastante inovador (para a época, obviamente) de efeitos visuais, misturando computação gráfica e animação. A trama, por sua vez, também tinha aquele apelo de videogames, que ainda estavam bem em moda naquela época áurea do Atari e afins, quando até mesmo adultos jogavam.

As referências aos videogames merecem um parêntese. Por exemplo, existem algumas cenas onde os personagens têm que lutar dentro de jogos, e isso me lembrou muito da época dos primeiros consoles de jogos, onde você tinha aquele lance “5% tecnologia, 95% imaginação”. Acreditar que uma linha vermelha que tenta fechar uma linha azul é, na verdade, uma incrível moto futurista numa corrida até a morte envolve um monte de “faz de conta”... Para vocês terem idéia, o jogo principal onde os prisioneiros competem em TRON, esse das motos, hoje em dia é o “jogo da cobrinha”, que você encontra em celulares vagabundos ou em minigames de rodoviária. O que me leva a refletir sobre o avanço dos jogos.

Gosto bastante de jogar computador, ou videogame. Sempre gostei, desde o Atari dos anos 80, até antes disso. E os jogos evoluíram MUITO desde então. Mas evoluíram principalmente por causa da tecnologia envolvida. Enquanto os computadores, processadores, vídeos e afins evoluíam exponencialmente (a velocidade do computador em que estou escrevendo agora é de cerca de 200 vezes a velocidade do meu primeiro PC, de uns 15 anos atrás), a criatividade dos produtores de jogos passava, como toda criação do mundo, por fases bem variadas. Hoje em dia, muitos jogos são um primor de tecnologia, mas a tal jogabilidade, o entretenimento, fica lá embaixo. Mas acho que eu estou digredindo, e estou sendo nostálgico demais com uma coisa que talvez não tenha muita importância. O fato de Quake 3 ser menos viciante que Asteroids talvez seja algo só meu.

Voltando ao filme. Existe um ponto que eu achei especialmente interessante em TRON. Quando Flynn, o hacker personagem do Jeff Bridges, “entra” no computador, ele encontra uma sociedade onde alguns membros-programas “subversivos” acreditam em usuários, entidades cósmicas que os criaram, e que controlam suas vidas. E estes programas são chamados pelos outros de “religiosos”. Isso aí, os caras fazem um paralelo com as relações “Programa/Usuário” e “Pessoas/Deus”. Achei a sacada muito boa. Eles podiam elaborar um pouco mais, tem uma ou outra passagem sobre isso, onde os programas conversam sobre destino e afins com o humano, mas a grande idéia fica meio jogada.

Ao mesmo tempo, rola um lance meio Matrix. Por exemplo, dentro da Matrix, como o Neo tinha lá seu controle sobre a realidade, ele “era de fora” daquele lugar, ele tinha uma série de super poderes. A mesma coisa acontece com Flynn dentro do computador. Ele consegue controlar máquinas, curar pessoas e afins, simplesmente porque ele é um usuário, algo externo àquela realidade. No entanto, mais uma vez, esse dado fica esquecido num canto do roteiro, e acho que poderiam ter usado de forma mais generosa. No fim, o que sobra é um filme básico de heróis bonitinhos tentando derrubar o bandidão, aprontando as mais loucas confusões, isso tudo com um monte de efeitos especiais que, sem o valor histórico, são só “não constrangedores”.

Não vou dar uma carinha triste para TRON, mas não mudou minha vida.

domingo, 8 de junho de 2008

Alien vs Predador, made for Radio

Bom, acabei de assistir o "Alien vs Predador 2". Acho que esse blog vai ser sobre isso, filmes ruins. Primeiro, baixei os clássicos, aqueles que eu não tinha visto porque não tinha visto, mesmo, porque não era nascido na época, e porque nunca encontrei numa locadora, ou nunca corri atrás. Agora, estou baixando aqueles filmes que não tive coragem de assistir no cinema. Será este o futuro deste blog? Resenhas e comentários de filmes "Made for TV"?

Estranhamente, o primeiro Alien vs Predador foi até bem passável. Fiquei sabendo que o roteiro original seria uma batalha entre os dois povos num dos planetas alienígenas, e isso teria sido muito mais bacana. Mas mesmo assim, eu entendo que um filme sem NENHUM humano teria sido difícil de vender ao público de cinema de hoje em dia. Mas, roteiros alternativos à parte, o filme até que é divertido e razoavelmente bem feito.

Já o segundo filme é de doer. Ruim. Ruim mesmo. Aquela coisa de sempre, sustos, nojeira, explosões, correria, figurantes morrendo primeiro, o trivial. Mas com dois fatores complicadores. Primeiro, os atores são péssimos. Sério. Até os atores mais velhos são horríveis. Ruins, ruins, ruins. De você ficar constrangido e querer mudar de canal. De você achar que Malhação até tem seus bons momentos.

O segundo fator é especialmente chato. O filme é escuro. BEM escuro. Não escuro como um filme do Batman. Escuro como o seu quarto enquanto você procura o interruptor de noite e chuta a cadeira com o dedinho do pé. O primeiro Alien, "O oitavo passageiro", lá de 1979, era um pouco assim também, mas acho que porque ele era menos um filme "nojeira e tripas" e mais um filme de medo, suspense. Além do que, é claro, há 30 anos os efeitos especiais se resumiam a papel alumínio, catchup e fogos Caramuru. Mas hoje em dia, que efeito especial é coisa que moleques de 10 anos fazem num computador de casa, é meio vergonhoso.

A ação do filme inteiro se passa em cerca de umas 12 horas, durante uma noite. Ou seja, filme noturno, tudo escuro, uma enorme sucessão de cenas de ação onde tudo o que você recebe pelo seu dinheiro são guinchos, fagulhas, reflexos na baba ou no sangue, e toda uma série de barulhos diversos. Tudo bem, de certa forma, dá pra imaginar o que esteja acontecendo. "Monstro A está se atracando com Monstro B e propriedade privada e pública está sendo destruída ruidosamente no processo". Mas, se fosse pra ficar imaginando, eu iria atrás de uma radionovela, não de um filme no cinema.

Não sou muito de saber quem são os caras por trás da produção de um filme. Em casos extremos, eu sei o diretor. Mas parece que o sujeito responsável por esse primor de iluminação está querendo criar um estilo. O diretor de fotografia, ou seja lá o nome do emprego que dão a esse cretino, cujo nome eu alegremente esqueci, também fez a mesma idiotice em mais dois filmes, só este ano. Bom, enquanto continuarem contratando o rapaz, ele vai continuar insistindo no erro.

De resto, até que o filme é só "ruim como sempre". Ou seja, a história é rasa, os personagens são sem sal, tem muita quebradeira pra pouca informação, e afins. Mas uma coisa eu confesso. O filme tem seus méritos. Quando fiquei sabendo que a direção era de uns tais "Brother Strause", fiquei meio cismado. Não gosto de "Brothers" qualquer coisa. Os irmãos Wachowski, por exemplo, da trilogia Matrix, viraram uma marca ambulante. Os irmãos Wayan, dos "Todo Mundo em Pânico", os "Warner Brothers"... sei lá, não gosto. "Brothers" de qualquer tipo, quando falamos de cinema e não de uma barbearia, não me passam algo positivo. E os Brothers Strause foram bastante criticados pela violência do filme, todo mundo falando que eles apelaram no quesito “escolha de vítimas”. Mas o que eu vi me agradou, pelo menos num aspecto mínimo e isolado. É a mesma coisa de sempre, tripas, sangue, e afins. Mas com uma coisa legal. Os caras saem um pouco daquela coisa de "figurantes morrem, pessoas más morrem, mas crianças, cachorros, mendigos e mocinhos, não". No filme, morre todo tipo de gente. Putz, a segunda vítima do filme é um pivete de uns 10 anos! Isso eu achei agradavelmente ousado. Que jogue a primeira pedra quem nunca ficou perplexo como, numa catástrofe global, como invasão alienígena, asteróide, Godzilla e outros, as crianças e Labradores têm uma taxa de sobrevivência mais alta que soldados das Forças Especiais do Exército Americano. Simplesmente não faz sentido.

E o final, também, achei que envolveu uma boa dose de coragem dos irmãos Strause. Não vou contar o final aqui, que é estragar um filme já bem ruim, mas basta dizer que eles dão um desfecho incomum e quase nada previsível, e uma referência aos fãs dos filmes clássicos da série Aliens, o que é sempre muito melhor que o final imbecil “todo mundo que é importante sobrevive, e vive feliz para sempre”.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

John McLane meets Don Corleone

Aliás, putz... Disseram que o "Chefão 2" era ainda melhor que o primeiro. Ok, ok, tem a origem do Don Vito, e coisa e tal, mas aquele monte de reviravolta na trama "presente", ou seja, o que acontece com o Michael Corleone... Que zona. Parece enredo dos "Duro de Matar", onde a cada 10 minutos você descobre que tudo o que você achava que tava acontecendo era só cortina de fumaça, e que o plano do bandido era outro totalmente diferente. Meio que nem as origens do Wolverine, sabe? A cada nova edição, a história começava com "Esqueça tudo o que você achava que sabia sobre as origens do Wolverine".

Assisti em duas etapas o filme, porque descobri que meu primeiro download tinha vindo com uma hora a menos, mas ainda assim acho que isso não foi a causa principal pela minha dificuldade em pegar o enredo. Porra, no meio das conspirações e afins tem até a Revolução Cubana! Temos 800 personagens com nome de macarrão, e toda vez que alguém conversa, diz exatamente o oposto do que disse anteriormente pra outro sujeito. Aí, você pensa "Ah, ok, entendi, ele está enganando um deles!".

Mas não, no fim, ele estava enganando os dois, ou nenhum, ou ele mesmo se enganou, uma fuzarca sem tamanho.

LOST me deixou idiota, acho que foi isso.

Kay tem que ceder

Desde que assisti "Alguém tem que Ceder", o primeiro filme que eu me lembro de ter visto com a Diane Keaton, tenho um pensamento recorrente sobre esta atriz de tantos anos de carreira.

Que dentes horrorosos.

Sério. Juro que só quero vê-la em papéis dramáticos, para nunca mais ter a remota possibilidade de vislumbrar aquelas diminutas e amareladas aberrações.

Hoje, assisti "O Poderoso Chefão 2", como prometido. Ela encarna DE NOVO o papel chato de Kay Corleone, esposa de Michael Corleone, o chefão do filme, empossado no final do primeiro.

Mais uma vez, a mesma coisa. Papéis femininos torrando a paciência do público no meio das maquinações da Máfia. Ela chora. Ela reclama. Ela quer levar os filhos embora. E ela é feia. Bem feia. Sei lá que porra de padrão de beleza havia naquela época, mas ela era bem jovem, e já bem feia, com aquela cara amassada de cachorro...

Ok, naquela época os símbolos sexuais eram meio exóticos, mas acho que dava pra arrumar coisa melhor que ela sem abrir mão de uma atuação decente.

Bom, pelo menos ela não sorri em cena nenhuma do filme.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Apollonia rest in peace

Uma daquelas obras que a gente sente que TEM que ver, às vezes até mente que já viu, e enrola na conversa, pra não ficar chato, é O Poderoso Chefão. Eu nunca tinha visto. E, confesso, menti várias vezes que já tinha, pra não ter que ouvir comentários imbecis do tipo "Pooorra, cê tem que ver". Claro que eu tenho que ver, quando der, eu vejo...

Enfim, hoje, assisti. O primeiro, ainda. Estou com os outros dois na agulha. Percebi duas coisas interessantes sobre o filme. Primeiro, que é um ótimo filme, mas, quando dá aquela vontade de pensar críticas, você fica se sentindo como quando vai jantar num restaurante caro. Ou seja, você acha que, se teve ALGO que você não gostou, a culpa é sua, do seu mau gosto. O filme tem quase 3 horas, e em alguns momentos fiquei com aquela impressão de "Putz, que cena longa e desnecessária". Mas, antes que o pensamento se solidificasse na minha cabeça, ele já virava "olha a sutileza da montagem das cenas, voltadas para a construção de cada personagem", e blá blá blá. É aquela coisa da roupa nova do rei, a gente fica com medo de falar mal, porque acha que todo o resto do mundo que achou aquele filme um primor não pode estar errado.

Mas assim, fica parecendo que eu não gostei. É mentira. Eu gostei bastante. Dizem que o segundo é ainda melhor, espero que seja verdade, andam faltando bons filmes.

A segunda coisa que percebi é que os papéis femininos (talvez por culpa da época do filme, ambientado em 45 e filmado em 72) são majoritariamente pífios. Ou temos a mamma gordona que cozinha, ou noivinha saco de pancada, ou a belíssima Apollonia, uma italianinha deliciosa, que, mesmo deliciosa, consegue me cansar nos 10 minutos em que aparece no filme, num papel meio decorativo. Quando o carro explode e ela vai importunar outras redondezas, a gente se mexe na cadeira, pois dá aquela impressão de que fizeram uma lipoaspiração na trama, e ela vai embalar um pouco.

Enfim, nada contra personagens femininos. Mas, em filme de máfia, onde a gente quer se sentir machão, vendo tiroteio e afins, mulher chorando, gritando e reclamando afeta nossa testosterona e brocha um pouco a diversão. Descanse em paz, Apollonia, e não volte até ter aprendido a atirar.

terça-feira, 20 de maio de 2008

A lei que comprova a lei

Como era de se esperar, taí: fiquei cerca de 20 dias sem postar nada. E não senti falta. Diferente dos possíveis vícios da humanidade, cigarro, bebida, punheta, novela e chocolate, "blogar" é daqueles que eu simplesmente não entendo a necessidade. Vejo gente postando loucamente, diariamente, algumas mais de uma vez ao dia... Com fotos, citações, links... Gente, vamos arrumar um emprego, ler um livro, sei lá. Minha vida é ok, nem mais, nem menos divertida que a média do povo por aí, e eu também não faço feio ao escrever. Só não sinto essa necessidade doentia que os blogueiros em geral têm de expôr, de comentar. Aliás, chega de falar dos filmes que baixei na Internet.

Quero falar hoje sobre a porra da morte da porra da Isabella Nardoni. Quem me conhece sabe que eu já falei minha opinião sobre o acontecido na roda de bar, no grupo de e-mails, até nas reuniões de família. Talvez isso explique porque eu NÃO SINTA a necessidade incrível de falar, aqui, da mesma coisa. Mas, se não for isso, vou falar do que comi no café da manhã, ou do filme do Homem de Ferro. Assim...

Pai e madrasta matam acidentalmente/premeditadamente a pimpolhinha fofinha de 5 anos, e jogam do sexto andar o corpo, ou a moribunda. Ok, ok, trágico.

Dias depois, mais de 1000 pessoas postam scraps no Orkut da mãe dando solidariedade pela perda. Donde tiramos que:

Primeiro, mais de 1000 pessoas que devem ter seus próprios problemas, de filho drogado a prestação vencida de mais de três meses das Casas Bahia, parando o que estão fazendo para descobrir o nome da mamãe Nardoni.

Segundo, mais de 1000 pessoas que devem ter seus próprios problemas, de não conseguir se alfabetizar a não conseguir caber numa calça tamanho 60, se mobilizando para descobrir o Orkut da mamãe Nardoni.

Terceiro, mais de 1000 pessoas que devem ter seus próprios problemas, de desemprego crônico a marido infiel, se esforçando para escrever uma mensagem de solidariedade tocante para a mamãe Nardoni.

Achei que, nesse país de padres voadores e cartões corporativos que viram tudo piada, ALGUMA COMUNIDADE do Orkut teria sacaneado a menina. Quando olhei, isso há uns 15 dias, existiam mais de 1000 comunidades sobre Isabella Nardoni, NENHUMA DELAS tirando um barato da situação. Todas eram a mesma babação de ovo, "Isabellinha, nosso anjo, vai deixar saudade" e o escambau. FORA, é claro, que um porrilhão de idiotas mudou o próprio nick pra "de luto por Isabella Nardoni".

A média de membros das comunidades era, vamos chutar, cerca de 1000 pessoas. Conta rápida, 1000x1000, um milhão. E olhem que eu estou sendo BEM modesto, que provavelmente o número seja maior que esse, embora - incrivelmente - muitas pessoas participem de várias comunidades IGUAIS sobre o assunto simultaneamente.

Enfim, trabalhemos com esse número. Um milhão de imbecis.

Turma, quantas crianças de 5 anos vocês acham que morrem por dia? Pra agradar mesmo os chatos conspiratórios de costume, NA CLASSE MÉDIA, quantos? Morre uma porrada de gente o tempo todo, e vocês, de repente, acham que tudo parou, porque "o nosso anjinho" se foi. De repente, ninguém mais fala de nada minimamente macrocósmico, tipo política, segurança, educação, até mesmo a porra da Olimpíada ficou em segundo plano. Mesmo umas semanas depois, com o furacão que detonou Mianmar e o terremoto que trouxe abaixo a China, NINGUÉM PARA DE FALAR DESSA MENINA. Nem os jornais sérios e sisudos.

Por isso que a porra do Big Brother faz sucesso. Num mundo onde um milhão de pessoas foi deixar scrap no Orkut da mamãe Nardoni, não é nada estranho que uma quantidade semelhante ligue semanalmente pra dizer quem dos anormais da mansão vai ter que voltar pro canil. Cuidar da vida alheia é esporte nacional. O Ronaldinho ter gastado seus milhões com um traveco - aliás, três travecos, feios, ainda por cima - ocupa mais as manchetes e as rodinhas que o terceiro mandato que esse toco de árvore que nos governa está subliminarmente nos empurrando (entre outras atrocidades de interesse nacional que infelizmente não atraem interesse algum na nação)

Sei lá. Eu até entenderia, com um pouco de esforço, que todo mundo tá projetando, introjetando, ou qualquer outra gíria psicanalítica, o choque de imaginar que criancinhas de 5 anos morrem tanto quanto o Raul Cortez. Mas daí ao povo sair por aí dizendo que "ela vai deixar um vazio na nossa vida"?

Gente, aos 5 anos, nem o Macaulay Culkin deixou um vazio na vida de um milhão de pessoas.

Fora que, se fosse anjo, que voasse.

terça-feira, 29 de abril de 2008

The Stand

Nunca fui muito fã de Stephen King. Li "O Iluminado" e uma ou outra coisa. Digamos que ele acerte muito em algumas tentativas, mas depois ele pára de tentar. O cara de certa forma faz um terror misto de novela das 8 com filme trash do Zé do Caixão, não consegui ainda localizar o que me incomoda nos livros/filmes dele. Só sei que me cansam um pouco.

Nos últimos dias, mesmo assim, me dei ao trabalho de baixar e assistir "The Stand", uma minissérie em 4 capítulos baseada num livro do sujeito. A premissa é boa, um vírus criado em laboratório pelos militares americanos escapa, e sai matando todo mundo. A primeira das quatro partes é isso, mostra os caras tentando conter a doença, a coisa saindo do controle, e tal. Interessante.

Na segunda parte, no entanto, já está quase todo mundo morto, exceto uns 5% da população, então vemos aqueles cenários pós apocalípticos cheios de cadáveres apodrecendo nas ruas, gangues se matando, carros batidos, casas pegando fogo, e por aí vai. Aí, começa a frescura. Entra aquele componente humano, as pessoas chorando pelos mortos, dezenas de diálogos quase iguais sobre "o que vai ser de mim agora?" e variações sobre o tema. De repente, a coisa degringola. Entram uns elementos religiosos na história, com uma velhinha boazinha que afirma falar a vontade de Deus, e que orienta os sobreviventes "bonzinhos", e um outro sujeito que é um caipira bonitão de mullets que - fica subentendido -, é o diabo, é um emissário do diabo, é um apóstolo do diabo, ou coisa assim.

Já acho que botar religião, ainda mais UMA religião específica, como o Cristianismo, no caso de "The Stand", é um ótimo jeito de segmentar a história e mandar um monte de espectador mudar de canal. Mas, enfim, o Stephen King ganha mais dinheiro que eu escrevendo, então não vou criticar. Mas continuemos.

Na terceira parte, os dois grupos de sobreviventes, mauzinhos e bonzinhos, formam duas cidades separadas, a uns 400 km uma da outra. Como num filme da Xuxa, os maus são maus 100% do tempo. Usam roupas pretas, querem machucar os bonzinhos, gargalham e afins. Os bons, por outro lado, são todos companheiros, altruístas, solícitos e doces como uma crise diabética. Como se não bastasse, nessse capítulo temos o adicional chateante da formação de novos casais no grupo, nos brindando com cenas de ternura, nheco nheco e bilu bilu no meio de uma catástrofe mundial. Num salto de roteiro, então, os bonzinhos resolvem, de uma forma não muito bem explicada, baseada em sonhos que o grupo todo estranhamente tem, que eles deveriam confrontar os maus, ou iriam morrer. Algo do tipo "vamos matar os satanistas antes que eles tragam o maldito rock and roll pras nossas famílias"

Nessa altura, já estava meio frustrado com o quanto de coisa mal amarrada tinha na história. O tal diabão parecia não ter um propósito muito claro, ele ficava espalhando o caos, transmutando-se em coisas horríveis, acendendo os olhos e chacoalhando o mullet pela cidade, mas não dava muito pra entender qual era a do sujeito. Faltou um "comentários do diretor", aí.

Nisso, os bonzinhos atravessam os 400 km A PÉ, como se fossem o Forrest Gump, e aí temos um "confronto final" bem capenga, da motivação ao efeito especial, da explicação aos diálogos. Putz, até falar dessa série é frustrante.

Enfim, pegaram um filme sobre o fim do mundo, epidemia, e afins, e transformaram numa bobajada religiosa que não apela nem aos religiosos. E ensinam as pessoas que, se você for fazer uma viagem de 400 km, tudo o que você precisa é de um bom par de tênis e de bons amigos pra contarem piadas no trajeto.

Uma carinha triste para "The Stand".

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Assistam Family Guy. Já.

Tenho assistido muito "Family Guy", aquele desenho que, sem justiça, comparam com "Simpsons" e que, no Brasil, foi traduzido como "Uma Família da Pesada".

Como discutido anteriormente, o sufixo "da Pesada" já imbeciliza qualquer coisa. Dá vontade de colocar toda matéria de má notícia no jornal como "da Pesada", pra aliviar o baque, imaginem? "Um mensalão da pesada! Uma turminha de deputados muito louca, aprontando confusões ESCANDALOSAS em Brasília!". Certamente eu ficaria menos puto lendo isso que as manchetes usuais...

Mas enfim. O desenho é BOM. Muito bom. Rápido, agressivo, politicamente incorreto, com fortes doses de nonsense, referências pop ou não tão pop a tudo o que você possa imaginar, de Star Wars a Mark Twain, de História Medieval a polêmicas étnico-sociais. Na verdade, é difícil saber como o Seth McFarlane, criador e pai da criança (ele faz um monte de vozes dos personagens, bola as piadas, acho que ele até desenha e dirige o negócio) não foi preso ainda.

Descrever o desenho é difícil, já que os personagens são muito mais complexos que o menino peralta e skatista, a menina inteligente saxofonista e o bebê que não fala nem envelhece há 12 anos. Mais fácil que isso, é assistir um punhado de episódios e entender o negócio todo. Dando uma resvalada no tópico, apenas, saibam que o nenê da família é um gênio do Mal na busca pela conquista mundial, e o cachorro da família lê Hemingway, bebe martinis e aparenta ser a "pessoa" mais normal do elenco de mais de 100 personagens. Mas minha descrição não lhe faz justiça, volto a dizer.

Incrivelmente, o desenho sempre é comparado com "Simpsons". Simpsons é ok, confesso. Já me diverti muito com eles. Mas eles são uma família malucona em desenho animado, onde mãe, pai, cachorro, menina, menino e bebê convivem e aprontam as mais loucas confusões. Familiar? Sim, de fato. MAS AS SEMELHANÇAS QUASE ACABAM AÍ. Gosta de Simpsons? Nada contra, mas não se sinta na obrigação de atacar ou criticar Family Guy por causa disso. Eles estão a quilômetros de distância um do outro. Jetsons e Flintstones falam de famílias que aprontam as mais loucas confusões, e ninguém nunca comparou com os Simpsons. Ainda bem, porque os Estúdios Hanna Barbera nunca produziram nada que me fizesse rir, nem sob o efeito de drogas.

Na realidade, Simpsons já criticou Family Guy de modo agressivo, dentro e fora do desenho, como sendo um plágio. Depois de 2349823 anos fazendo a mesma coisa, o Matt Groening, criador dos sujeitos, deve estar cansado, com vontade de se aposentar, e não tem mais humor pra concorrência.

Novos tempos, Mattie. Seth McFarlane é mais novo, mais ágil, mais ousado, e muito, muito mais engraçado.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Um Morto Muito Louco - Director´s Cut

Confesso que não sou fã de filme arte. De vez em quando escapa um Almodóvar da vida aí, até um mais normal, tipo Scorcese e afins. Mas sou chegado mesmo em cinemão pipoca. E um filme clássico da minha infância e adolescência, um medalhão da Sessão da Tarde, é "Um Morto Muito Louco 2".

Bom, vejamos, só o título já fala tudo. Tem um morto no papel principal. E, ao invés de ser uma coisa (obviamente) mórbida, o filme é uma comédia (O "muito louco" dá uma boa dica do rumo do enredo). Uma comédia sobre um defunto já é um bom começo. Multiplique-se isso pelo fator politicamente incorreto e caótico dos anos 80, e pronto, temos duas horas de diversão saudável e descompromissada.

No entanto, assumo minha falha culutral ao dizer que nunca - até ontem - tinha assistido o "Morto Muito Louco 1". De modo que, por mais caótico e sem sentido que seja o segundo filme, fica aquela pulga atrás da orelha te perguntando "Peraí, quem é esse cara, como ele morreu, e que esses outros dois imbecis de blazer azul-calcinha estão fazendo correndo atrás dele?".

Assim sendo, resolvi tapar este buraco no meu repertório, e gastei minhas últimas colheradas de Internet pra baixar esta pérola, "Um Morto Muito Louco 1".

Olhe, vale a pena. Em termos de "diversão saudável e descompromissada" ele está ali no alto. Perde para o segundo filme, que assistir ao Bernie Lomax dançando, enfeitiçado, o filme inteiro, é impagável (apesar do funk carioca ter se apropriado da coisa para mais uma obra prima musical, anos e anos depois). Mas o filme todo é um primor oitentista. Das roupas aos diálogos, aos personagens, ao sentimento de "não vamos nos preocupar em fazer um filme que faça muito sentido, ninguém quer isso mesmo". Está cabeça a cabeça com "Sem Licença para Dirigir", "Gatinhas e Gatões" ou "Loverboy", e outros que vocês mesmos devem lembrar.

Rapidinho? Dois caras que trabalham numa empresa de seguros descobrem uma fraude, e contam para o chefe. O chefe, na verdade, era quem estava por trás do golpe,e resovle matar os dois. Os mafiosos contratados para o serviço, no entanto, acham que o sujeito está muito descuidado, e matam o chefe em vez dos dois empregados, que estão passando o final de semana na mansão do primeiro. Quando eles descobrem que o cara morreu, em vez de chamarem a polícia, resolvem - como qualquer um faria - tocar uma esbórnia o final de semana inteiro na mansão, aprontando, como diria o locutor da Sessão da Tarde, um grande confusão.

Talvez, agora, com este conhecimnto recém adquirido, eu possa assistir a continuação dotado de uma nova compreensão. Por outro lado, mais provável que eu só fique me deliciando com o Bernie Lomax fazendo a dancinha clássica, sem pancadões cariocas, pura e sem gelo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Camelô é coisa do passado, Capitão Sky é coisa do amanhã

Não consigo mais ir no camelódromo, misturar-me com aquele tanto de gente educada e amistosa já não desce mais minha goela. E esse é o motivo EGOÍSTA pelo qual eu não compro mais produtos piratas.

Já o motivo ALTRUÍSTA, que, imagino, pesa aí seus 20% na decisão, é que, se eu piratear eu mesmo meus produtos, não dou dinheiro a Law Kim Chong nenhum, e não incentivo crime organizado, e coisa e tal.

OBVIAMENTE, não estou falando de costurar meus proprios Nikes falsos, mas de baixar coisas na Internet. Se, um dia, eu puder baixar um Nike pela Internet, conversaremos sobre isso. Por ora, meus crimes são músicas, jogos, filmes, livros e quadrinhos.

Livro, confesso, já desisti. Ler 400 páginas de Harry Potter na tela do computador, por mais confortável que seja a sua poltrona, render-lhe-á um bronzeado na retina que faz a experiência ser muito pouco recomendável. Já o resto, com paciência, um pouco de orientação e uma boa conexão, é bem praticável.

Enfim, última aquisição gratuita que tive foi o "Capitão Sky e o Mundo do Amanhã". Sei, sei, o filme é velho, mas eu estou com uma longa lista de pendências, então, aproveite, e, se você não viu, poupe-se do trabalho.

Avaliação inicial? O filme é ok, bem daqueles que você acaba de ver e fala "Hm. Ok."

Foi de graça, então não dá pra reclamar muito. Temos o Jude Law sendo o Jude Law (que não me desagrada totalmente), a Gwyneth Paltrow sendo a Gwyneth Paltrow (que já cansa um pouco, ela é meio "ela mesma" demais pro meu gosto), a Angelina Jolie NÃO SENDO uma gostosa inacreditável (tarefa árdua) e o Giovanni Ribisi num papel de "ajudante do mocinho" que não lhe faz justiça. Acho que ele merece mais, mas, enfim, ninguém assistiria um filme com ele sendo o mocinho principal.

O filme tem aquele tom dos quadrinhos da era de ouro, o herói é bonitão, a mocinha é inconsequente e meio indefesa, o bandido é misterioso e sinistro... Mas, obviamente, com uns toques contemporâneos. Por algum motivo, hoje em dia, todo herói é anti herói, e toda mocinha é uma Ninja formada em Engenharia de Foguetes. Nada contra a humanização das personagens, ou contra o feminismo em dose homeopáticas, mas seria legal deixar que o tom original da história fosse mesmo deslocado no tempo, uma vez que a história (embora não diga, eu acho) se passa lá por 1940.

Rapidinho? Gênio do mal sai por aí sequestrando cientistas para construir grande dispositivo de destruição mundial e executar o tradicional plano "O mundo não me compreende, vou acabar com tudo". Surge Capitão Sky, loiro, lindo, sorridente, e salva o dia, com a ajuda/incômodo da loira, bela e ousada repórter. Meio Superman demais? Sim, um Superman anos 40. Lembrou um pouco Rocketeer, que tb foi baseado num quadrinho, se não me engano, e lançado em cinema há coisa de uns 15 anos. O filme ganhou notoriedade por ter sido feito em Computação Gráfica, inteiro, exceto pelos atores. Pelo menos isso, pois o resultado não é muito "notório".

Avaliação final? Se estiver passando na Sessão da Tarde, pode ver, mas não se incomode de ir ao banheiro no meio. Se não, use essas duas horas para ler um livro, ou tentar explodir pessoas com o poder da sua mente.

Ruim de arranque, pior de final.

Primeira regra do blog sacal: Fale sobre coisas que só interessam a você. Assim, não vou falar como foi meu dia, nem o que comi no café da manhã, nem o que estou sentindo porque "a garota dos meus sonhos nem sabe que eu existo", ou algum outro tipo de masturbação autopiedosa tão comum que blogs costumam promover.

Queria falar sobre filmes, games, literatura, TV e afins. Mas isso envolveria consumir tais coisas num ritmo que eu não consigo compreender. Então, vou tentar postar no ritmo em que estas coisas surgem. E mais, usando bem o tempo, quando eu falar de um filme, por exemplo, não vou ter estudado a carreira do diretor, o "por trás das câmeras" ou o "viral da internet" da película. Vou, assisto, comento, próximo.

Pode ser que o blog morra rapidinho. Na verdade, eu apostaria nisso. O tempo usado no blog poderia ser usado pra assistir filmes, que eu comentaria no blog. Profundo, não? Um verdadeiro paradoxo.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Crítica de cinema para leigos

Acabei de assistir "Donnie Darko". É um filme de 2001, com o cara que depois viria a ser um dos cowboys homossexuais de Brokeback Mountain. Filme visualmente interessante, com umas passagens complicadas, final confuso, e tal. Guardadas as devidas proporções, é um misto de "Pequena Miss Sunshine" com "Cidade dos Sonhos". Humildemente, fui pesquisar na Internet pra tentar entender melhor o filme, já que não tenho disposição pra assistir o negócio de duas horas de novo e de novo, até entender.

Se você não assistiu ainda, veja, vale a pena. Não é a coisa mais maravilhosa do universo, mas é bacana. Mas te garanto que você vai boiar em metade da trama. Enfim, num dos muitos sites pelos quais perambulei para chegar a uma conclusão, achei um, nacional, razoável, em forma de fórum, um sujeito falava o que achava, outro concordava, discordava, acrescentava, corrigia, e assim por diante. De repente, uma pérola Caetaneana. Olhem que genial o comentário que um luminar deixa no fórum, entre tantas elocubrações sobre o filme:

"Fico feliz toda vez que encontro um admirador desse filme. Respeito profundamente a sua análise. Mas acho que o filme está a cima de qualquer versão, compreensão ou entendimento. São tantos elementos importantes, simbólicos e universais que qualquer tentativa de “entender” a história acaba diminuindo o verdadeiro valor do filme. O filme é muito mais do que uma sacada ou um roteiro esperto. Todas as hipótese levantadas até agora... essas coisas acabam sendo um detalhes. As angústias do protagonista, o vazio da vida que ele tinha, a mediocridade das pessoas, o quanto ele se sentia sozinho, o fato dele ser um incompreendido… isso tudo e outros pontos que fazem o filme ser especial. É o cinema como deve ser. É a arte como deve ser. Sem sacadas, sem lições… mas com sensações. O filme tem uma atmosfera, tem uma cara, tem um universo próprio, um estilo, um traço, uma unidade… é um quadro, uma pintura. É pra sentir, não é para entender e dizer: “Ah… caramba! Era isso! Genial!”. É um filme sensível, apesar do esforço racional envolvido. É um filme “escuro” mas bonito.
Enfim… se o que eu escrevi parece meio vazio, me perdoem. Mas é difícil definir o que eu acho desse filme. E a dificuldade de definir e de fechar uma idéia são um sinal de que o filme realmente vai além da sacação. Acho que o próprio personagem de Donnie veria o filme dessa forma."


É, sem sombra de dúvida, uma obra de arte do falar muito, e não dizer nada. Dá, inclusive, para recortar e colar este texto e aplicar como crítica de 98% dos filmes produzidos. Querem ver? Pensem em qualquer filme que vocês viram no último ano. Agora leiam o texto de novo.

Viram? Genial.

Esse cara acabou de inventar o coringa das críticas cinematográficas.