segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lobisomem - Sabe aquilo tudo que você já viu antes?

Ééééé.... Pois é. Sabe Independence Day? Pegue um buzilhão de dólares e monte a maior quantidade de clichês conhecidos, e soque efeito especial pra compensar? Lobisomem não é tão vagabundo assim, mas está lá. A história é ok. Os atores, Anthony Hopkins, Benicio del Toro, Emily Blunt e Hugo Weaving, estão ok. Os efeitos são ok. E pronto. Um filme... ok.

Acaba, e você fala, "Hmmm, tá. Que será que vai acontecer no Two and a Half Men hoje?" Tudo é genérico. Previsível. Dizem que ele é uma homenagem aos filmes originais de lobisomem, mas isso simplesmente não é o suficiente. E a Emily Blunt é envolvente, sexy e atraente como meu cotovelo esquerdo. Passei o filme inteiro desejando que ela fosse a primeira vítima. Obviamente que ela sobrevive até os créditos.

Não quero nem falar mais desse filme. Não é nem ruim, é só... um grande nada cinematográfico.

Num filme onde nem o Hugo Weaving salva, nada pode prestar. Quase dá vontade de ver os lobisomens saradinhos da saga Crepúsculo. Mas só quase.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Twilight zone - Original Series - muito pão, pouco presunto

Baixei Twilight Zone INTEIRO. A série original, dos anos 50 e 60. Alguns de vocês talvez só lembrem pelo nome em português, dos remakes que passavam na Globo nos anos 80 ou 90, "Além da Imaginação". Basicamente, eram episódios de cerca de meia hora, de histórias fantásticas, com toques de terror, suspense e afins.

Sempre fui um aficcionado por esse tipo de material, terror, ficção científica, fantasmas, alienígenas, por aí vai. Mas o Twilight Zone original é bem difícil de engolir. Primeiro, porque os atores são horríveis. Tudo bem, aquela coisa de 50 anos atrás, o conceito de atuação era diferente, era aquela coisa meio teatral ainda, mas é constrangedor. Tudo é muito exagerado, você fica com vergonha alheia o tempo todo. Sabe Malhação? Naquelas horas que o diretor explica praquele bando de moleque bombadinho que gesticular é um jeito de enrolar na atuação, então eles ficam todos estrebuchando e chacoalhando os braços como italianos sob o efeito de cocaína? Dá vontade de mudar de canal.

As histórias são bacanas, mas sofrem daquele efeito "star wars". Tudo lá já foi usado posteriormente, e melhor, então, o simples fato deles serem os primeiros não agrega muito. Todos os clichês estão lá. A pessoa que passa o episódio inteiro confusa com o que está acontecendo, até descobrir que ela esteve morta o tempo todo. Ou o escritor que tudo o que ele cria vira realidade. O robô que quer virar humano para ter sentimentos. Tudo já usado e abusado em outros filmes, livros e seriados.

E, finalmente, a densidade dos episódios... Putz, o negócio tem 25 minutos. Entre abertura, e o apresentador mostrando o protagonista, e contando o que vai acontecer (Este é John Carter, um advogado de sucesso, que sempre teve tudo certo na vida, até hoje, quando ele enfrentará seus piores pesadelos), já foram uns 5 minutos. No final, ele repete tudo de novo (John Carter, um advogado de sucesso, que aprendeu que nem sempre teria tudo certo na vida, ao enfrentar seus piores pesadelos, na Twilight Zone), mais uns minutos. Em quase toda história tem aquele momento que o sujeito percebe que a coisa está complicada, e fica chorando, rosnando, gritando, babando ou coisa assim para a câmera. Contemos aí mais uns 5 minutos. Os diálogos muitas vezes passam por amenidades brutais, que eu não tenho nem com minha família, como "Me passa a manteiga?", "Com sal ou sem sal?", "Hm, hoje estou ousado, vou comer com sal" e por aí vai.

Ou seja. Resumindo, sobra, DE CONTEÚDO, tempo pra fazer um Miojo... Claro que não vou desistir, tenho uns 100 episódios para ver ainda, vou lá, firme e corajoso, assistindo que nem se fosse remédio. Acabando esses, vou baixar o remake dos anos 80, que eu lembro da minha infância, e era bem menos sofrido.

domingo, 7 de setembro de 2008

Juno

Lembro quando assisti Pequena Miss Sunshine. Numa daquelas coincidências da vida, TODO MUNDO começou a falar pra eu assistir o filme ao mesmo tempo. Gente de rodas sociais diferentes, todo mundo de repente encaixava na conversa que o filme era incrível, um verdadeiro divisor de águas. Quando finalmente assisti, achei um grande "Nhé...", aquela coisa de cinema independente americano padrão: "Família esquisitona e disfuncional de uma cidadezinha no interior dos EUA passa por uma série de situações estranhas e aprende a se entender e a se amar no final o filme". Não chegou nem perto de mudar minha vida, achei bem genérico o filme.

Enfim. Hoje assisti Juno. meio cansado, então nem vou descrever o filme. É melhor que Pequena Miss Sunshine. Mas também é um grande "nhé...". Objetivamente, uma única coisa me fodeu a paciência no filme. Você vê aquelas críticas masturbatórias, dizendo que a "direção é delicada", "os diálogos são muito bem trabalhados", e sabe que vem umas coisas meio xaropes, cenas desnecessárias e coisas do gênero, mas nem todo filme precisa ser objetivo como Superman II.

Mas, na tentativa de criar uma personagem "pária social / moleca / irreponsável", o diretor, a atriz e quem mais tivesse participado da construção da coisa acabaram criando uma menina que é tão irreal que, até o meio do filme, fiquei pensando se teria paciência pra vê-la mais alguns minutos na tela. Ficou parecendo uma versão pseudolésbica do Menino Maluquinho, como palavrões desnecessários e inverossímeis. Qualquer pessoa com um mínimo de sangue quente teria dado um cascudo nela antes de acabarem os crédito iniciais. Numa comparação mediana, é como ler O Mundo de Sofia. O filósofo esquisitão está lá, quebrando o galho da menina e ensinando Filosofia de graça para ela, e ela só dá patadas e atravessadas no cara. O que o autor queria com isso? Provar que a Sofia era independente e descolada? Ou que a mãe dela não deu as chineladas na hora que devia?

Bom. Dá pra ver Juno, não é um lixo total. Mas, assim como Pequena Miss Sunshine, mudou a vida de um monte de gente que deveria ter muito pouco a esperar dela.

domingo, 3 de agosto de 2008

Comédia politicamente incorreta

Céus.

Mais um musical.

Que inferno.

Dessa vez, até que não foi tão mal, porque o filme Os Produtores é um remake de um musical da época em que musicais eram mais comuns, e o tema é a Broadway, e a montagem de um musical, então, faz mais sentido. Mas, ainda assim, a mesma coisa de antes. Gente demorando 15 minutos de cantoria pra falar instruções simples, mendigos dançando e cantando, e afins.

Ficha rápida: “Os Produtores”, refilmagem de obra de mesmo nome lá dos anos 60 pra 70, do Mel Brooks. A história fala sobre dois sujeitos, um produtor de musicais decadente e um contador, que armam um golpe para lavar dinheiro através de um musical fracassado. Para isso, eles escolhem a dedo uma peça horrível, com diretores e atores péssimos, e afins. É bem engraçado, se você conseguir deixar a cantoria de lado. As interpretações são um pouco teatrais demais, mas acho que isso também se encaixa com o tema da coisa toda.

O que me incomodou mais foi que o produtor, interpretado pelo Nathan Lane, para juntar fundos para a sua peça, se prostitui para centenas de velhinhas fogosas, e isso é mostrado de forma divertida e bem humorada, com uma horda de velhinhas de andador dançando pela rua.

Só eu acho que isso é meio errado? Imaginemos se fosse uma situação oposta. Se uma fulana precisasse de dinheiro para, sei lá, trocar de carro, pagar o transplante de medula do avô ou coisa assim, e saísse por aí dando pra todo mundo para juntar a tal quantia. Duvido muito que isso fosse mostrado de forma divertida e bem humorada. Mas quando é um homem fazendo isso, todo mundo se esbalda... Fica aquele gostinho de hipocrisia.

Como naquele filme “O Pai da Noiva”, da mocinha negra que arruma um namorado branco, e a família negra dela fica constrangendo o coitado durante o filme inteiro. Como é a família negra constrangendo o cara branco, é uma comédia. Se fosse o contrário, seria um filme cabeça, polêmico e o escambau. Ia ter protesto na estréia, ia ganhar Oscar e tal.

Como eu disse, gostinho de hipocrisia.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sweeney Todd, um cantor de barbearia

Opa, bastante tempo sem escrever. Vários filmes ruins assistidos. Vamos lá?

Vamos começar por Sweeney Todd, o Barbeiro Demoníaco de Fleet Street. Bom, verdade seja dita. Eu adoro o Tim Burton, e adoro o Johnny Depp. E gosto bastante da Helena Bonham Carter, até, mesmo ela fazendo sempre o mesmo papel de louca imunda e sinistra.

Mas tem uma coisa que eu não suporto é musical. E, acreditem, mesmo o tanto que eu gosto dos dois atores e do diretor não compensam o quanto eu NÃO TOLERO musicais.

Quando você está no teatro, na Broadway, ou qualquer bobagem do gênero, até faz sentido que tudo pare para as pessoas CANTAREM o que elas estão pensando, e não falarem, ou, melhor ainda, pensarem silenciosamente. Afinal de contas, óperas são assim, e óperas nada mais são que um teatro só com italianos gordos. De qualquer forma, não sou muito chegado em teatro, acho uma arte superestimada. E quando vejo as coisas chatas do teatro passadas para o cinema, acho especialmente angustiante.

Bom, rápida ficha. Sweeney Todd é um filme baseado numa peça de teatro, baseada num livro, baseada num cara real. Ou algo assim. Trama? Sujeito interpretado pelo Johnny Depp é traído, expulso da cidade, e perde a esposa e filha. Volta 15 anos depois, sob outro nome, em busca de vingança, e vai matando uma porrada de gente no processo. Para ficar mais divertido, quando ele mata alguém, a vizinha de baixo, interpretada pela Helena Bonham Carter, usa a carne do defunto para fazer tortas, que viram um sucesso com a vizinhança.

Como vocês devem imaginar, a “história real” na qual tudo é baseado é bem menos elaborada, era só um sujeito que matou um monte de gente há uns séculos. Mas ser baseado numa história real sempre ajuda a dar uns pontinhos pro filme.

Falando em pontinhos, pontos positivos do filme? O elenco todo é bem bacana. Gente boa mesmo, como o Alan Rickman (o Snape os filmes do Harry Potter) e Timothy Spall (o Rabicho, também do Harry Potter... putz, preciso melhorar meu repertório). A direção do Tim Burton, como sempre, é primorosa, um filme com um misto de cinzento e uma ou outra cor berrante, aquele clima meio “conto de fada / pesadelo”. A história é mediana, não chega a ser envolvente, mas não se dorme no meio do filme. A violência é bem gráfica, às vezes chega a ser meio excessiva, mas nada que seja de mau gosto.

Ponto negativos? Bom, a resposta óbvia seria a maldita cantoria. Porém, além do constrangimento geral causado por pessoas cantando e dançando no meio da rua sem razão aparente, percebi que musicais têm um problema A MAIS. Quando o sujeito diz “Fulano, você me traiu há 15 anos e hoje eu vou me vingar cortando sua garganta!”, isso demora menos de 10 segundos. Para conseguir o mesmo efeito num musical, onde ele irá dizer isso 30 vezes, saltitando entre os móveis, rodopiando navalhas, fazendo jogral com mendigos dançarinos na rua e outras peripécias, a coisa toda acaba tomando uns 5 a 10 minutos da película. Multiplique isso por uns 20 ou 30 “momentos musicais” no filme, e pronto, temos um enredo que, resumido, acaba possuindo apenas um terço de FILME, de verdade, com enredo, acontecimentos, e afins. Aí, além de você se irritar com as músicas, você percebe também que levou gato pelo preço de lebre, seu filme de mais de duas horas tem apenas uns 40 minutos de tutano. Triste? Bom, eu acho. Mas isso sou eu.

Resumindo? Nah, não assista. Quer ver um filme bacana do Tim Burton? Veja Peixe Grande. Ou, se quiser ver um filme bacana do Tim Burton com o Johnny Depp, veja Edward Mãos de Tesoura, ou O Cavaleiro Sem Cabeça.

Pelo menos a porra de um Cavaleiro sem Cabeça não canta.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Taxi Driver - Bandeira 1

Olha, como eu já disse quando falei sobre o Poderoso Chefão, tem sempre aqueles clássicos dos quais você não pode falar mal, que vai incomodar uma massa de admiradores ou gente sem opinião própria. Isto dito, essa semana vi "Taxi Driver", do Scorcese. Olha, tudo bem, ele é meio datado, talvez por isso eu tenha achado o filme meio "qualquer nota". Mas só posso dizer que não mudou minha vida. O Robert de Niro está bem, a Jodie Foster está bem também... Até a Cybill Shepherd, que eu sempre achei meio genérica, engana bem.

MAS, para um filme tão polêmico e cheio de histórias por trás, eu achei meio sem sal. Senti mais ou menos a mesma coisa que eu senti quando li "O Apanhador no Campo de Centeio". Porra, o livro era super controverso, mas ninguém falava do conteúdo, sempre falavam do fato dele ter sido encontrado no bolso do cara que matou o John Lennon, e sido o livro de cabeceira de mais uns tantos maníacos por aí. Quando li, achei um grande "hmmm... ok".

"Taxi Driver", para mim, foi isso. Um grande "hmmm... ok". Pra quem não conhece, o filme é de uns 30 anos atrás. O taxista do título é o Robert de Niro, e ele é um veterano do Vietnam, Guerra da Coréia, essas roubadas. Ele volta da guerra, e está com problemas para dormir. Logo, resolve trabalhar o turno da noite de taxista. Enquanto isso, ele vai vendo aquele mundo decadente, de drogas, prostituição infantil, e o escambau, durante as rondas noturnas dele. E vai ficando puto, imagino que por causa daquela sensação "eu lutei, tomei tiro, me ferrei lá, e aqui tá essa zona". Até aí, ok. Aí, ele se apaixona pela Cybill Shepherd, que é coordenadora de campanha de um candidato, pré candidato, sei lá o que, à presidência dos EUA.

Ele se aproxima dela, com um papo todo "sou esquisitão, e por isso posso ser diferente dos caras que você conhece", e a coisa vai indo bem (nota mental: “testar xaveco do esquisitão”). Mas o cara é tão esquisitão que, depois de um tempo, ela perde a paciência e manda o cara passear. Ao mesmo tempo, o incômodo dele com a sociedade vai ficando mais e mais pesado, e ele resolve comprar um monte de armas, e sair matando gente por aí.

Aí que a coisa pega. Ele começa querendo matar o candidato, o tal carinha para quem a Cybill Shepherd trabalha. Sem um motivo muito sólido. Não dá pra entender se é porque ele é importante e vai dar visibilidade pro caso. Ou se ele acha que o cara é um hipócrita demagogo e por isso representa o que há de mais podre naquela sociedade que ele detestava. Ou pra se vingar da mulher que o abandonou. Sei lá, perdi essa, mesmo.

Mas, de qualquer forma, ele não consegue matar o sujeito. E aí, tenta ajudar a Jodie Foster, que é uma prostituta mirim, de uns 12 anos. Dá dinheiro pra ela, tenta convencê-la a “sair dessa vida”, e afins.

E, obviamente, vem uma grande confusão ao final, que vou poupar os leitores que queiram assistir ao filme. E a coisa fica meio no ar.

Ou eu ando muito burro, ou o filme é meio gratuito.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Direto do Telejogo para sua telinha!

Opa, como eu disse, meu repertório de filmes baixados é composto de filmes ruins, e filmes clássicos. Dessa vez, o cardápio do dia é TRON, de 1982. Eu já tinha assistido ao filme, mas isso quando eu tinha cerca de quatro anos, então, não conta muito. Desta vez, no conforto da minha cadeirinha de computador, me preparava para começar a exibição, quando vejo “Estúdios Disney apresentam: TRON”. Hmmm. Estúdios Disney nunca são uma boa coisa. Quando eles fazem coisas pra criança, fatalmente, em algum momento, teremos animais, ou mesmo objetos, cantando e dançando. E quando eles fazem coisas para adultos (ou, pelo menos, para “não exclusivamente crianças”, como Piratas do Caribe), o resultado sempre é um meio termo meio ingênuo e bobinho.

Enfim, o filme já está aí, baixado, e tem seu rótulo de clássico, vamos lá. A história, para quem não sabe, é bem simples. Um hacker é engolido por um mega computador, e é obrigado a se virar para sobreviver em meio a uma cidade virtual dominada por um tirano-programa, que deseja “assimilar” outros programas pelo mundo em busca de mais poder. O filme tornou-se um clássico por causa do uso bastante inovador (para a época, obviamente) de efeitos visuais, misturando computação gráfica e animação. A trama, por sua vez, também tinha aquele apelo de videogames, que ainda estavam bem em moda naquela época áurea do Atari e afins, quando até mesmo adultos jogavam.

As referências aos videogames merecem um parêntese. Por exemplo, existem algumas cenas onde os personagens têm que lutar dentro de jogos, e isso me lembrou muito da época dos primeiros consoles de jogos, onde você tinha aquele lance “5% tecnologia, 95% imaginação”. Acreditar que uma linha vermelha que tenta fechar uma linha azul é, na verdade, uma incrível moto futurista numa corrida até a morte envolve um monte de “faz de conta”... Para vocês terem idéia, o jogo principal onde os prisioneiros competem em TRON, esse das motos, hoje em dia é o “jogo da cobrinha”, que você encontra em celulares vagabundos ou em minigames de rodoviária. O que me leva a refletir sobre o avanço dos jogos.

Gosto bastante de jogar computador, ou videogame. Sempre gostei, desde o Atari dos anos 80, até antes disso. E os jogos evoluíram MUITO desde então. Mas evoluíram principalmente por causa da tecnologia envolvida. Enquanto os computadores, processadores, vídeos e afins evoluíam exponencialmente (a velocidade do computador em que estou escrevendo agora é de cerca de 200 vezes a velocidade do meu primeiro PC, de uns 15 anos atrás), a criatividade dos produtores de jogos passava, como toda criação do mundo, por fases bem variadas. Hoje em dia, muitos jogos são um primor de tecnologia, mas a tal jogabilidade, o entretenimento, fica lá embaixo. Mas acho que eu estou digredindo, e estou sendo nostálgico demais com uma coisa que talvez não tenha muita importância. O fato de Quake 3 ser menos viciante que Asteroids talvez seja algo só meu.

Voltando ao filme. Existe um ponto que eu achei especialmente interessante em TRON. Quando Flynn, o hacker personagem do Jeff Bridges, “entra” no computador, ele encontra uma sociedade onde alguns membros-programas “subversivos” acreditam em usuários, entidades cósmicas que os criaram, e que controlam suas vidas. E estes programas são chamados pelos outros de “religiosos”. Isso aí, os caras fazem um paralelo com as relações “Programa/Usuário” e “Pessoas/Deus”. Achei a sacada muito boa. Eles podiam elaborar um pouco mais, tem uma ou outra passagem sobre isso, onde os programas conversam sobre destino e afins com o humano, mas a grande idéia fica meio jogada.

Ao mesmo tempo, rola um lance meio Matrix. Por exemplo, dentro da Matrix, como o Neo tinha lá seu controle sobre a realidade, ele “era de fora” daquele lugar, ele tinha uma série de super poderes. A mesma coisa acontece com Flynn dentro do computador. Ele consegue controlar máquinas, curar pessoas e afins, simplesmente porque ele é um usuário, algo externo àquela realidade. No entanto, mais uma vez, esse dado fica esquecido num canto do roteiro, e acho que poderiam ter usado de forma mais generosa. No fim, o que sobra é um filme básico de heróis bonitinhos tentando derrubar o bandidão, aprontando as mais loucas confusões, isso tudo com um monte de efeitos especiais que, sem o valor histórico, são só “não constrangedores”.

Não vou dar uma carinha triste para TRON, mas não mudou minha vida.